21/07/2020

A tragédia da política (Relações Internacionais)

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15/03/2019 - Por: José Renato Ferraz da Silveira

Como pensar a política? Com que instrumentos, com que categorias, com que racionalidade? São questões basilares que mobilizam estudiosos e interessados pela Política.

A obra A tragédia da política (Relações Internacionais) pressupõe que o pensamento trágico contém  um conjunto de chaves de compreensão das coisas que pode ser de grande ajuda a uma reflexão que proponha pensar a política. Por quê?

Pois pensar a partir da tragédia é um modo de lidar com o conflito, com a dimensão da contradição e de antagonismo sempre presentes na vida dos seres humanos e nas relações entre eles, e a questão do conflito é sempre um dos grandes problemas, um dos núcleos fundamentais da política.

Política e conflito

O conflito é o elemento constitutivo da política. O conflito nada mais é que a realidade da política, seu factum, sua facticidade. É a matéria, o coração, o núcleo irredutível da política. A tragédia na política possui três visões interpretativas: 

  1. Tragédia é o conflito continuamente resolvido e superado na ordem perfeita do todo;
  2. Tragédia é o conflito não solucionado e insolúvel;
  3. Tragédia é o conflito que pode ser solucionado, mas cuja solução não é definitiva nem perfeitamente justa ou satisfatória.

A visão da obra é a segunda tradição. Ou seja, a postulação da inevitabilidade e insolubilidade do conflito. É o que dá força às grandes obras trágicas que têm marcado singularmente a subjetividade e o pensamento ocidentais. Podemos encontrar o pensamento trágico nas grandes peças do teatro grego e shakespeariano, mas encontramos também no pensamento de Weber, Freud ou Walter Benjamin.

O que esses três autores abordam em comum: o movimento perpétuo de um conflito agônico (que se encontra na agonia) sem superação possível.

O pensamento trágico, com efeito, é um pensamento capaz de conviver com o conflito e de tentar pensar nele e a partir dele – e não apesar dele, nem muito menos contra ele –, visto que tende a ver os seres humanos dominados pela contradição, por cortes e desdobramentos, pelas exigências contrárias de requerimentos incompatíveis.

Ou seja, na atualidade, o pensamento da tragédia na política é especialmente apto para o estudo dos fenômenos políticos.

O livro trata dos fenômenos políticos a partir da perspectiva da ascensão e queda de seus líderes políticos. Nada é mais rico que a personalização do drama político.

Para saber mais sobre o tema, conheça a obra A tragédia da política (Relações Internacionais). Organização de José Renato Ferraz da Silveira.


 

José Renato Ferraz da Silveira: Nascido em São Paulo, no ano de 1978. Professor associado I do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria, UFSM/RS. Doutor em Ciências Sociais (Política) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É autor de quatro livros: Sob o signo da Fênix, Sob o signo das Valquírias, A tragédia da política em Ricardo III, A tragédia da política em Ricardo II.