28/07/2020

Coordenação pedagógica: desafios e possibilidades para a formação docente

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28/07/2020 - Por: Angelina Araujo

A atuação do coordenador pedagógico como articulador de práticas e processos educativos é uma questão que se apresenta como necessidade premente para o desenvolvimento com qualidade da educação. Acompanhar a formação e atuação dos professores in loco tem sido o grande movimento de investimento dessa nova forma de interagir e submergir das práticas antigas.

No entanto, nos estudos realizados por Dias-da-Silva e Lourencetti (2002), Clementi (2001), Mate (1998), Christov (2001) e Fernandes (2008), bem como nas pesquisas empíricas realizadas direta ou indiretamente com PCP[1], foram evidenciadas algumas fragilidades na solidificação da identidade desse profissional e também no papel desempenhado por este no espaço escolar. Sua atuação preponderante como gerenciador dos processos educativos e gestores da aprendizagem não está consolidada no cotidiano escolar. Inúmeras vezes sua identificação está ligada ao “faz tudo”, aquele que pode coordenar todos os processos no interior das escolas, sendo assim o foco principal do trabalho torna-se invisível em virtude das inúmeras tarefas desenvolvidas no cotidiano das escolas, que são marcadas pela sobrecarga de serviços, pela intensificação docente (OLIVEIRA, 2003) e pelas urgências e emergências do cotidiano (CHRISTOV, 2004).

Outra vertente que dificulta a definição e solidificação da função desse profissional é a forma não institucionalizada como ele é selecionado para o exercício da função. Identifica-se na obra O coordenador pedagógico da educação infantil em formação: a experiência exitosa de Maceió que há questionamentos e falhas, por ser um processo de indicação ou alvo de processos seletivos frágeis, que abordam questões apenas relacionadas à formação inicial em Pedagogia, dirigidas a alguns casos sobre atividades de sua experiência docente. Isso acontece por haver a compreensão de que, para atuar como coordenador pedagógico, bastaria o curso de licenciatura em Pedagogia atrelado ao exercício da docência.

Buscando encontrar estratégias que colaborassem para a solidificação e reconhecimento dessa profissão e das suas ações potentes para o aumento da qualidade da educação nas instituições de ensino, evidenciamos nos capítulos que se seguem nessa obra a necessidade de compreensão de seus fazeres. Desde a sua origem, no início da educação jesuítica no Brasil, passando pela década de 70 e chegando aos dias atuais, é preciso acompanhar as mutações ocorridas durante esse percurso, principalmente na sua atuação profissional, como afirmou Garrido (2009, p. 9):

O trabalho do professor-coordenador é fundamentalmente um trabalho de formação continuada em serviço. Ao subsidiar e organizar a reflexão dos professores sobre as razões que justificam suas opções pedagógicas e sobre as dificuldades que encontram para desenvolver seu trabalho, o professor-coordenador está favorecendo a tomada de consciência dos professores sobre suas ações e o conhecimento sobre o contexto escolar em que atuam.

É consenso, e há comprovação em diversas pesquisas, que esse profissional encontra-se na escola desempenhando diversos papéis, entretanto, existe um de relevante importância para o desenvolvimento dos processos pedagógicos: o papel de formador de professores e gerenciador de aprendizagens. Dessa forma, faz-se necessária a elaboração de políticas públicas que atendam ao que preconiza a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN nº 9.394/96, em seu art. 63, ao afirmar que “Os institutos superiores de educação manterão [...] programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis”. Essa mesma lei federal, quando reafirma a importância do “aperfeiçoamento profissional continuado”, preconizado no art. 67, traduz essa necessidade urgente para que possamos qualificar e profissionalizar esse sujeito.

Corroborando a premissa anterior, sustentada nas entrevistas realizadas na rede de ensino de Maceió, evidencia-se a necessidade de elaboração de políticas públicas que reconheçam a importância desse agente, solidifiquem suas contratação e fortaleçam sua atuação nas instituições de ensino e a implantação dessa decisão na rede.

Na obra, tomamos esse ponto de partida para apresentar reflexões sobre a necessidade de implantação de políticas públicas que definam de uma vez por todas a atuação do coordenador pedagógico da educação infantil, reconhecendo seu papel preponderante na gestão dos processos educativos, principalmente na formação dos professores, e que investir na formação contínua dos docentes é um dos caminhos para a melhoria da qualidade do desempenho dos processos educativos.

Os desafios para promover a melhoria na qualidade do desenvolvimento e aprendizagem nessa etapa da educação básica são imensos, sendo necessário voltar a atenção para profissionais delimitados dentro da escola que não têm recebido investimentos, no âmbito da formação, como é o caso do coordenador pedagógico.

O que se observa tem apoiado outras pesquisas, como a que fora realizada pela Fundação Carlos Chagas – Cadernos de Pesquisa, nº 147, de set/dez. 2012 – São Paulo, a qual evidenciou que o investimento feito pelo governo para implementar propostas, projetos, formações etc., não resultaram em avanços por falta de mediação dentro da escola – tarefa que poderia ser assumida pelo profissional que ocupa a função coordenadora (ALMEIDA; PLACCO, 2009; PLACCO; SOUZA, 2008, 2010).

Defende-se no livro, portanto, a premissa de estruturar e implementar uma política pública que contribua para que o coordenador pedagógico possa, no processo de sua atuação, agir-refletir-agir sobre sua prática e, dessa maneira, ser visto como sujeito que constrói seus conhecimentos profissionais a partir de sua experiência e atuação reconhecida pela sociedade. Esse conceito está claramente explicitado por Isaia, Bolzan e Maciel (apud ROLDÃO, 2009) ao assegurarem que “O profissional é aquele que ensina não apenas porque sabe, mas porque sabe ensinar. Este saber ensinar envolve saber científico, domínio técnico-didático, postura meta-analítica, questionamento intelectual, interpretação e realimentação contínua” (p. 156).

Destarte, para saber mais sobre o tema, conheça a obra O coordenador pedagógico da educação infantil em formação: a experiência exitosa de Maceió, de Angelina Araujo, publicado pela Editora Appris.

[1] Professores Coordenadores Pedagógicos.


 

Angelina Araujo é mestre em Educação pela Universidade SEK/Chile, com especialização em Psicopedagogia, pela Universidade Federal de Alagoas, e em Pedagogia Empresarial, pelo Centro de Estudos Superiores de Maceió, graduada em Pedagogia. Coordenadora geral de educação infantil da Secretaria Municipal de Educação de Maceió, membro do comitê gestor do Fórum Alagoano em Defesa da Educacao Infantil – FADEDI, membro do Grupo de Pesquisa em Pedagogia e Culturas Infantis – GEPPECI, membro do Conselho Municipal de Educação de Maceió – COMED, membro do Programa Plataforma dos Centros Urbanos – Unicef. Acumula experiência de administradora escolar no grupo Carlos Lyra; coordenadora pedagógica do curso de magistério da 9ª Gerência Regional de Educação de Alagoas; gestora do Núcleo de Gestão de Pessoas da 2ª Gerência Regional de Educação de Alagoas; professora técnica na Unidade de Gestão Educacional da 15ª Gerência Regional de Educação de Alagoas; professora de educação infantil.