02/09/2020

Reflexões no ensino da matemática

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02/09/2020 - Por: Leonardo Mota de Andrade

            Sendo a educação direito de todos e dever do Estado e da família, sendo uma atividade que deve preparar a pessoa para o exercício da cidadania e para sua qualificação profissional, já caminhamos para a universalização do ensino fundamental e médio, mas uma questão ainda não foi resolvida, a qualidade do ensino e aprendizagem de nossos alunos da educação básica brasileira.

            Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCNEM), “um Ensino Médio concebido para a universalização da Educação Básica precisa desenvolver o saber matemático, científico e tecnológico como condição de cidadania e não como prerrogativa de especialistas” (BRASIL, 2000, p. 7).

            A universalização da educação é direito de todos e garantido pela constituição, porém essa universalização passa pelo saber matemático que é essencial para o exercício da cidadania. Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) destaca-se que: “O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades: […] a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo” (BRASlL, 2007, p. 19).

            O saber matemático é que possibilitará ao aluno/cidadão ser capaz de decidir sobre as vantagens e/ou desvantagens de uma compra à vista ou a prazo; avaliar o custo de um produto em função da quantidade; conferir se estão corretas informações em embalagens de produtos quanto ao volume; calcular impostos e contribuições previdenciárias; avaliar modalidades de juros bancários, interpretar gráficos, tabelas e dados numéricos veiculados nas diferentes mídias; ler faturas de contas de consumo de água, luz e telefone, ou seja, exercer de forma consciente e autônoma a sua cidadania. Esses conhecimentos estão diretamente ligados ao saber matemático, e para que o saber matemático do aluno seja desenvolvido, existe algo fundamental no processo de ensino e aprendizagem: o currículo, “[…] entendemos o currículo como projeto que preside as atividades educativas escolares, define suas intenções e proporciona guias de ação adequadas e úteis para os professores, que são diretamente responsáveis pela sua execução” (COLL, 2000, p. 45).

            A educação de um modo geral está carente de material diversificado que possibilite um ensino mais prático, pois segundo as Orientações Curriculares do Ensino de Matemática (OCEM):

Na ausência de orientações curriculares mais consolidadas, sistematizadas e acessíveis a todos os professores, o livro didático vem assumindo, há algum tempo, o papel de única referência sobre o saber a ser ensinado, gerando, muitas vezes, a concepção de que “o mais importante no ensino da matemática na escola é trabalhar o livro de capa a capa” (BRASIL, 2006, p. 86).

            A falta de interesse por parte dos alunos nas aulas de Matemática é uma reclamação constante dos professores da matéria. Paulo Freire faz o seguinte questionamento, “Por que não estabelecer uma necessária “intimidade” entre os saberes curriculares fundamentais aos alunos e a experiência social que eles têm como indivíduos?” (FREIRE, 2000, p. 34).

            No entanto, um currículo de matemática diversificado, relacionados com a prática profissional e que desperte a curiosidade dos alunos, seria uma grande ferramenta para aumentar o interesse dos alunos pela disciplina de Matemática e diminuir os índices de reprovações e desistências. Ensinar exige curiosidade tanto de quem ensina como de quem aprende. “Como professor devo saber que sem curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino.” (FREIRE, 2000, p. 95).

            Para D`ambrosio (2012, p. 74), “o grande desafio para a educação é por em prática hoje o que vai servir para o amanhã.” Este desafio pode ser abrandado com pesquisa prévia por parte do educador, possibilitando eliminar práticas desnecessárias e/ou inúteis que em nada contribuirão com o amanhã.

            Para saber mais sobre o tema, conheça a obra Software R: Uma nova proposta de ensinar e aprender Estatística.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Orientações Curriculares para o Ensino Médio: ciências da natureza, matemática e suas tecnologias. Brasília: MEC; SEB, 2006.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio. Vol. 1. Bases Legais. MEC; SEMTEC, 1999/2002.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio. Vol. 3. Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. MEC; SEMTEC, 1999/2002.

COLL, César. Psicologia e currículo: uma aproximação psicopedagógica à elaboração do currículo escolar. 5.ed. São Paulo: Ática, 2000.

D`AMBROSIO, Ubiratan. Educação Matemática: da teoria à prática. 23º ed. Campinas, SP: Papirus, 2012.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 16. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000.


Sobre o autor: 

Possui mestrado em Matemática pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), especialização em Educação Matemática pelo Instituto Cuiabano de Ensino (ICE), graduação em licenciatura plena em Matemática pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), bacharel em Estatística pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Atuou como professor no município de Ji-Paraná/RO entre 2004 e 2010, e desde 2010 é professor efetivo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia, atuando nas áreas de Matemática e Estatística, nos cursos técnicos, graduações e pós-graduações.