09/09/2020

Conheça o livro: O Hospital dos Afetos

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09/09/2020 - Por: Sara Angela Kislanov

O Hospital dos Afetos é um livro que apesenta não só o início da Psicologia Hospitalar no Rio de Janeiro, mas também a importância do encontro humano. Duas psicólogas foram contratadas para trabalhar num hospital de grande porte, junto ao Serviço de Pediatria. Não se conheciam, mas descobriram grandes afinidades.

O livro é o relato de uma experiência pioneira de inserção de psicólogos em ambiente hospitalar. Mariza Campos da Paz e Sara Kislanov criaram, no Serviço de Pediatria do Hospital dos Servidores do Estado, atendimentos individuais e grupais para tentar minorar o sofrimento das crianças, de seus familiares e — por que não? — dos médicos e demais profissionais envolvidos no tratamento.

Os grupos mais importantes criados foram: Grupo de Pais do CETIP, o grupo de pais de bebês internados na UTI neonatal, Grupo de Mães do Ambulatório, o grupo de mães das crianças atendidas no ambulatório, e o Grupo dos Residentes, onde os textos sobre as características do desenvolvimento infantil e as angústias do dia a dia foram trabalhadas nas reuniões com os pediatras. Esses textos e algumas das discussões que emergiram foram minuciosamente relatados. Além disso, cinco ex-residentes de Pediatria do HFSE enriqueceram o livro com seus depoimentos. Os doutores Julio Dickstein e Guilherme Vidal, responsáveis pela UTI neonatal e pelo setor de neuropediatria, acrescentaram dados importantes.

Com a criação do Serviço de Psicologia em 1983, vários serviços passaram a contar com atendimento psicológico, a atuação da psicologia foi bastante ampliada. Por isso, o livro apresenta ainda o relato de oito trabalhos de psicólogos de diferentes serviços do hospital, os quais atuaram na clínica médica, cirurgia pediátrica, na urologia, na oncologia pediátrica, na pediatria e na neurocirurgia. Esses relatos contemplam temas como as consequências do adoecimento crônico, a ejaculação precoce, a questão do sexo biológico e sexo psicológico, o tratamento ambulatorial, a amenização do sofrimento das crianças com câncer, as raízes psicossomáticas da psoríase e a representação gráfica da doença.

Com a palavra, o Dr. Eduardo Vidal, psicanalista, membro da Letra Freudiana, que supervisionou o início do trabalho:

“Acredito que este livro chega ao leitor em boa hora. Nos últimos quarenta anos em que essa experiência se iniciou — e prossegue até os dias de hoje — houve avanços consideráveis da Ciência e da Medicina no que se refere ao tratamento das doenças. Contudo, o desenvolvimento da técnica e o seguimento de protocolos podem recriar a ilusão de um saber médico autossuficiente. Este livro aponta para o lugar e a função da falta em todo saber, propondo um trabalho em que os diferentes discursos implicados no tratamento e no cuidado da criança possam ouvir o que os afeta: os afetos do hospital.”