16/09/2020

A importância de se conhecer a natureza dos erros ortográficos para a elaboração de intervenções didáticas realmente eficazes

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16/09/2020 - Por: Alcione Souza

É cada vez mais comum professores dos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) se sentirem impotentes diante das dificuldades apresentadas por seus alunos, principalmente no que se refere à escrita. Uma realidade, aliás, que costuma comprometer o processo de ensino e aprendizagem como um todo (e em todas as disciplinas escolares), refletindo, inclusive, na vida cotidiana desses alunos fora da escola.

A sensação de impotência não é retórica, visto que as causas dos erros ortográficos cometidos, principalmente por alunos que apresentam defasagem idade/ano escolar, podem ser muito variadas; desanimando assim a maioria dos professores, que, além de não se sentirem devidamente preparados para enfrentarem a questão, ainda têm de lidar com salas de aula superlotadas, pais ausentes da vida escolar de seus filhos e alunos cada vez mais desinteressados.

Paralelamente, a ciência trabalha na busca de estratégias que possam ajudar a minimizar o problema, discutindo, por exemplo, a pressão que a oralidade exerce sobre a variação e a mudança linguística, ocasionando modificações nos padrões de uso e gerando consequências na escrita, bem como a relativização do “erro” ortográfico, que nem sempre representa uma falha que deve ser corrigida, devendo ser tratado como o reflexo do trabalho cognitivo de hipotetização realizado pelo aluno, que tende a analisar as possibilidades de representação da língua, ainda que usando, como base, o conhecimento da língua (oral) que já possui.

Nesse sentido, tem-se, nesse processo de hipotetização, um tipo de metacognição relacionada à linguagem que pressupõe a necessidade do desenvolvimento metalinguístico no trabalho com a ortografia e a importância de se levar em conta a constante interação entre oralidade e escrita na construção da representação mental da língua diante das dificuldades fono-ortográficas apresentadas pelos alunos.

Assim, acredita-se que a estratégia de identificar os tipos de erros ortográficos cometidos a partir de sua natureza, selecionando os mais recorrentes para uma análise mais detalhada, pode facilitar o trabalho dos professores, na medida em que permite não apenas a identificação do problema, mas a elaboração e implementação de propostas de intervenção realmente eficazes.

Para saber mais, conheça a obra Meu aluno escreve como fala, e agora? Uma intervenção bem-sucedida no ensino fundamental II, na qual a autora, Alcione Souza, não só discute o assunto e as teorias subjacentes ao tema, como também descreve uma intervenção elaborada e implementada por ela. Boa leitura!


Alcione Souza é Mestra em Letras pela Universidade de Montes Claros-Unimontes, especialista em Linguística Aplicada ao Ensino de Língua Materna e graduada em Letras/Português. É docente das Faculdades Prominas de Montes Claros, onde atua nos cursos de graduação e pós-graduação. Leciona, ainda, na educação básica da Rede Pública de Ensino do estado de Minas Gerais, atendendo jovens em cumprimento de medida socioeducativa. Cursa, atualmente, o doutorado em Ciências da Educação, desenvolvendo pesquisas com foco em intervenções mais eficazes no tratamento das mais diversas dificuldades de escrita, considerando as contribuições da Linguística Cognitiva.