21/09/2020

Sistema de troca justa no trabalho

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21/09/2020 - Por: Angelita Monteiro Menezes

O trabalhador sempre foi responsabilizado unilateralmente por seu infortúnio no trabalho. As cobranças passam por disponibilidade máxima, “resiliência”, qualificação, proatividade, capacidade de apreensão rápida dos comandos e novas tecnologias. Mas estes pré-requisitos só apresentam coerência quando o trabalhador é recompensado por seus esforços e quando isso representa retorno em qualidade de vida.

O trabalho é fundamental na vida humana, sem ele não sobrevivemos e nem desenvolvemos um projeto de sociedade, mas existe uma inversão de valores na relação que é estabelecida atualmente no mundo do trabalho. Ocorre uma pressão para que as pessoas produzam cada vez mais, reduzindo seu tempo livre, ao mesmo tempo em que o retorno salarial não é suficiente para atender as necessidades básicas de cada individuo, o que dificulta, inclusive, seu investimento em formação e qualificação continuada.

A maioria das pessoas que vivem do trabalho são heróis e heroínas que acordam todos os dias extremamente cedo, pegam transportes públicos lotados para conseguirem chegar em seus locais de trabalho e que, antes de sair ou após retornar para suas casas, precisam cuidar de filhos, deixar a casa em ordem e alimentar a família, sendo resilientes todos os dias de suas vidas, mas que são tratados por muitos gestores como peças facilmente substituíveis nas organizações.

Existe uma manipulação subjetiva para que o trabalhador sinta-se impotente e refém do mercado de trabalho. Isso esconde os talentos e reforça o medo que gera o sentimento de impotência e submissão. Para superar esse medo e compatibilizar o projeto de vida de cada trabalhador com as metas e objetivos das empresas é fundamental que se estabeleça um sistema justo de troca entre patrões e empregados, e isso passa pela valorização do profissional, pelo reconhecimento de seus dons e talentos, pela remuneração justa e compatível com o volume de trabalho e pela criação de um ambiente de trabalho saudável e organizado para que as atividades sejam desempenhadas com sucesso e que proporcione a esse trabalhador uma vida digna, o que  faz com que todo empenho no trabalho realmente faça sentido.

Isso não é paternalismo, e sim respeito pela dignidade humana e  garantia de direito à vida. Se queremos uma parceria de sucesso, precisamos aprender que reciprocidade é o melhor caminho, e que quando uma das partes se sente lesada, a ruptura torna-se inevitável, porque a relação perde o sentido. Empregadores e empregados são codependentes no processo de geração de riquezas. Portanto, a valorização do trabalhador torna uma empresa ainda mais valiosa e reconhecida.

Conheça a obra da autora: “Eu Sei Fazer Pão!”: Individuação e Emancipação do Trabalhador


 

Angelita Monteiro Menezes: Graduação em Psicologia pela Universidade Salvador (2003), graduação em História pela Universidade Católica do Salvador (1993), Mestrado em Desenvolvimento Humano e Responsabilidade Social pela Fundação Visconde de Cairu (2003) e Doutora em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia. Analista Junguiana Didata pela Associação Junguiana do Brasil, filiado a Associação Brasileira de Psicologia Analítica e a IAAP (International Association for Analytical Psychology. Atua como Psicóloga Clinica e professora da UNISBA - Universidade Social da Bahia, no curso de Psicologia ministrando as disciplinas Sistema Teórico Junguiano e Técnicas e Intervenções em Psicologia Analítica e como Coordenadora da Clinica de Psicodinâmica do Trabalho de base analítica com foco em saúde do trabalhador. Professora de Cursos de Pós-Graduação.Consultora de Psicologia Aplicada , com ênfase em Fatores Humanos no Trabalho, atuando principalmente nos seguintes temas: Psicodinâmica do Trabalho, Saúde e Trabalho, Motivação e Liderança, Psicodinâmica da Interação Humano/Tecnologia da Informação, Aspectos Psicossociais da Psicossomática, Formas de Gestão e Reestruturação Produtiva.