23/09/2020

Conheça o livro: Cuidador Familiar: O Autocuidado por Meio do Desenvolvimento de Competências Pessoais-Sociais

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23/09/2020 - Por: Lisneti Maria de Castro

 Se por um lado o aumento da longevidade tem sido considerado como uma das maiores conquistas das populações deste século, por outro, as implicações relativas ao adoecimento crônico e degenerativo decorrentes do próprio processo de envelhecimento têm se revelado como um dos maiores desafios não só para os sistemas de saúde dos vários países que possuem altas taxas de envelhecimento, como também para as famílias que terão a responsabilidade pelos cuidados dos seus familiares que se encontram incapacitados e necessitam de cuidados de longa duração e que serão executados no domicílio.

É no contexto de adoecimento prolongado com implicações em dependência física ou emocional é que surge a necessidade de um ou mais membros desempenharem o papel de cuidador informal familiar.

Ocorre que, ao assumir essa tarefa, o cuidador familiar geralmente não está preparado, seja do ponto de vista físico, seja do ponto de vista psicológico, para lidar com essa nova realidade. É comum grande parte dos cuidadores familiares, durante o desempenho da tarefa, desenvolverem sintomas de fadiga, tensão, stress, angústia, baixo autoestima e depressão. Todos esses sintomas são reconhecidos pela literatura como sobrecarga, que resulta do desequilíbrio emocional devido ao acúmulo de tarefas a serem executadas e a própria dificuldade que os cuidadores informais possuem em lidar com essa nova realidade.

Uma das medidas que podem contribuir para a diminuição dessa sobrecarga é a formação/intervenção, porém não basta apenas orientar o cuidador sobre a doença a ser cuidada, é preciso ir mais além no sentido de conscientizá-lo sobre a importância que deve ter em relação ao seu autocuidado, uma vez que é comum os cuidadores familiares, ao assumirem essa tarefa, esquecerem-se de si próprios e dedicarem-se integralmente ao familiar que precisa de seus cuidados.

Seguindo a lógica da valorização do autocuidado do cuidador, faz todo o sentido criar um modelo de formação/intervenção que contemple em seu corpo teórico o desenvolvimento de competências pessoais ou sociais que possibilitem a integração do cuidador no papel que assumiu. Também é necessário que, tal como o familiar que precisa de cuidados, o cuidado com o cuidador seja prioridade no que diz respeito à intervenção dos profissionais de saúde que lidam com esse público-alvo.

Ações de formação/intervenção para cuidadores devem evidenciar o treino de competências e aumento das que já existem: o ensino e aconselhamento para o exercício de práticas promotoras de saúde, avaliação das consequências da responsabilidade dos cuidados, avaliação dos recursos pessoais dos cuidadores, bem como suas necessidades a nível comunitário e, por fim, a disponibilidade de suporte social que o cuidador terá em seu núcleo familiar.

Todo esse método de intervenção destinado aos cuidadores deve ser um processo contínuo e dinâmico, sendo necessário avaliar quotidianamente os problemas que envolvem a tarefa de cuidar e as necessidades subjetivas de cada cuidador familiar.

Vivemos o século do aumento da longevidade, no qual o envelhecimento ganhará protagonismo. Embora envelhecer não signifique adoecer, nem sempre será possível chegar a essa fase da vida, gozando de boa saúde.

Portanto, o surgimento de uma doença incapacitante exigirá que as famílias se reorganizem e criem novos papéis entre seus membros, de forma que sejam garantidos os cuidados de saúde ao familiar que se encontra frágil e dependente. De igual forma, a saúde física e emocional do cuidador também deve ser vista como prioridade, tendo em vista as exigências que essa tarefa impõe e a necessidade de assegurar o bem-estar físico e emocional desses atores, para que possam desempenhar essa função de modo eficiente.

Acesse a obra da autora: Cuidador Familiar: O Autocuidado por Meio do Desenvolvimento de Competências Pessoais-Sociais


Lisneti Maria de Castro: Psicóloga, doutora em Educação/Psicologia da Educação, mestre em Psicologia Clínica e da Saúde, ambos pela Universidade de Aveiro, em Portugal. Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional, formadora credenciada na área de Educação para a saúde, envelhecimento e cuidados familiares.

Seus estudos de investigação são orientados para o impacto psicológico que a tarefa de cuidados tem sobre o cuidador familiar. No âmbito do doutoramento, desenvolveu ferramentas no que diz respeito à construção de um programa de intervenção psicoeducativo baseado no desenvolvimento de competências pessoais/sociais de forma que durante o desempenho da tarefa o cuidador ficasse mais bem preparado e conscientizado sobre a importância que deve dar ao seu autocuidado.

É presidente da Associação de Apoio a Cuidadores de Pessoas Dependentes – APACID. Essa ONG tem sua sede em Aveiro-Portugal, não tem fins lucrativos e atua numa perspectiva de inovação, objetivando com base nos paramentos da psicoeducação, intervir, capacitar e aconselhar familiares cuidadores para o exercício dessa tarefa no domicílio.