28/09/2020

Áfricas no Brasil: da riqueza humana à cultura afro-brasileira

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28/09/2020 - Por: Ana Lucia da Silva

Os negros africanos foram trazidos para o Brasil na condição de escravos, sem serem consultados, contra a sua própria vontade, deixando para trás famílias, povos, vidas. Essa prática fez com que a África continente explorado por suas riquezas, contribuísse para o comércio europeu com o que possuía de melhor: sua própria gente. (MALERBA; BERTONI, 2001, p. 49).

No século XV, os europeus aportaram na costa Atlântica africana, inaugurando a exploração do continente e dos povos africanos, principalmente a partir do século XVI, com a colonização portuguesa na América. 

Com a vinda forçada de africanos e africanas para o Brasil, o tráfico negreiro ocorrido por meio do oceano Atlântico fez chegar nas terras tropicais diversas etnias, histórias e práticas culturais. Nesse processo, o continente africano contribuiu com o que tinha de melhor: a riqueza humana, sua gente. Um Brasil de várias Áfricas.

No Brasil, os africanos e as africanas que foram escravizados (re)construíram as práticas culturais na vida cotidiana, em suas vivências e reexistências, forjando o atual país com outros povos, como indígenas, os invasores “colonizadores”, imigrantes de diversas nacionalidades e migrantes.

Assim, no Brasil, negros e negras fizeram florescer a cultura afro-brasileira. Das lutas e resistências em prol da liberdade, o povo negro fez surgir a capoeira.

No recôncavo baiano, negros e negras com seus batuques deram origem ao samba de roda. As baianas com as saias floridas e rodadas espalharam alegria, embora houvesse as adversidades da vida. As tias baianas com sua fé popularizaram o culto aos orixás, deuses e deusas africanos, por meio de religiões de matriz africana e afro-brasileira, como o Candomblé.  

Na Bahia de todos os santos e amores, um dos berços da cultura afro-brasileira, as baianas também difundiram o gosto pelo acarajé, quindim e vatapá, encantando os sabores da culinária brasileira.

No século XIX, na capital do Brasil Império, devido à diáspora baiana, nos terreiros das tias baianas do Candomblé, os bambas resistiram às perseguições policiais, fazendo surgir o samba carioca: samba de terreiro, partido-alto e samba-enredo. Assim, de semba na África, principalmente no Congo e em Angola, no Brasil se fez samba.

A beleza da cultura afro-brasileira está presente na vida cotidiana do povo brasileiro. Quem conhece nossa história, as relações entre África e Brasil, reconhece a riqueza da cultura afro-brasileira sem preconceito.

Por isso, no carnaval carioca de 1988, no centenário da abolição da escravidão em nosso país, a escola de samba Estação Primeira de Mangueira celebrou nossa ancestralidade africana, a história e cultura afro-brasileira, cantando: “Moço/ Não se esqueça que o negro também construiu/ As riquezas do nosso Brasil [...] O negro samba/ O negro joga capoeira/ Ele e o rei na verde rosa da Mangueira”.

Referências

MALERBA, Jurandir; BERTONI, Mauro. Nossa gente brasileira. Campinas, SP: Papirus, 2001.

SAMBA-ENREDO. Cem anos de liberdade, realidade ou ilusão. Escola de samba Estação Primeira de Mangueira, carnaval carioca de 1988. Disponível no site: https://www.letras.mus.br/mangueira-rj/478753/. Acesso em: 20 set. 2020

SILVA, Ana Lúcia da. Ensino de História da África e cultura afro-brasileira: estudos culturais e sambas-enredo. Curitiba: Editora Appris, 2019.