28/09/2020

Surdocegueira: uma caixinha de surpresas

Tags: BLOG

28/09/2020 - Por: Elaine Gomes Vilela

A surdocegueira é a junção das perdas sensoriais de visão e audição. Esse conceito contempla não só as pessoas que possuem perda total desses sentidos, mas também refere-se a pessoas que possuem resíduos visuais, auditivos ou ambos, possuindo essas perdas concomitantes.

A partir do ângulo que olharmos a pessoa com surdocegueira, iremos vislumbrar um aspecto singular. As pessoas surdocegas congênitas, caracterizadas por crianças que nascem surdocegas ou que tornam-se surdocegas antes da aquisição de linguagem, são olhadas a partir da perspectiva do outro. Essa criança precisa do outro para se estabelecer como ser humano e para conectar-se com o mundo que a rodeia. Esse contato ocorre a partir do toque nas pessoas e objetos.

O profissional capacitado para exercer a comunicação com esse surdocego é o instrutor-mediador, que carrega consigo chaves que abrem caixas e revelam segredos. Essas chaves são as estratégias de comunicação que esse profissional vai galgando para que a criança com surdocegueira estabeleça contato com as pessoas e com o mundo que a circunda.

Além da criança surdocega desenvolver e conseguir expressar suas intenções e emoções, é ainda por meio desse profissional que as pessoas e o mundo chegam a ela com suas informações.

Esse olhar sobre a pessoa surdocega congênita precisa ser cuidadoso, respeitoso e ao mesmo tempo ousado, visto que, para que essa caixinha de surpresas seja aberta revelando toda sua beleza, são necessários movimentos calculados e destreza. Uma chave primordial que abre essa caixa revelando esse segredo está ligada ao vínculo afetivo, que exige a aproximação física e emocional do profissional instrutor-mediador.

A partir do vínculo, a criança surdocega estabelecerá contato com o instrutor-mediador que fará a apresentação da sua rotina. O instrutor-mediador precisa representar segurança para a criança surdocega. A criança precisa confiar nele para, a partir desse vínculo, estabelecer uma forma de comunicação concreta.

Esse profissional deve estar devidamente habilitado para o exercício desse trabalho e deve buscar recursos de Tecnologia Assistiva no âmbito de recursos pedagógicos adaptados para conferir eficiência e maestria no seu trabalho.

A responsabilidade desse educador não está somente nos seus atos pedagógicos, mas circunda todo o entorno dessa criança, fornecendo carinho, segurança, autonomia, compreensão, respeito, estímulo e, sobretudo, comprometimento com a criança que desenvolve seu caráter e pertencimento como um ser único neste grande universo.

Para saber mais sobre o tema, conheça a obra Educação de Surdocegos: perspectivas e memórias.