16/10/2020

Filosofando com os super-heróis

Tags: BLOG

16/10/2020 - Gelson Weschenfelder

Seria possível os super-heróis das histórias em quadrinhos ultrapassarem as páginas desses objetos e salvar vidas reais? Muitos leitores de quadrinhos de superaventura de diversas gerações acreditam que esses personagens são modelos morais e são fontes de inspiração.

A maioria das pessoas desconhece que o personagem superempoderado já passou por muitos infortúnios e que o sofrimento não o desencorajou. Há semelhanças entre a vida dos super-heróis e a vida real de crianças e jovens que experienciam diferentes situações de risco. Tais similitudes podem ser de grande valor como recurso para os programas de educação ligados a área de saúde, ensino, assistência social e planejamento de políticas públicas. Além das aventuras que esses personagens vivenciam, eles enfrentam dilemas que todo ser humano vivencia em seu dia a dia. São temas ligados à superação de adversidades, à construção de identidade pessoal, a elementos de ética, moral, justiça, enfrentamento de medos, de situações de violência, entre outros. Assim, o livro Homens de Aço? Os super-heróis como tutores de resiliência traz as possíveis relações e associações entre adversidades da vida real de crianças desfavorecidas psicossocialmente e as adversidades da vida ficcional de personagens super-heróis dos quadrinhos, em sua fase, intitulada Pré-Capa/Pré-Máscara, refere-se ao estágio de desenvolvimento do personagem antes da sua estreia como um super-herói fantasiado.

Os super-heróis podem inspirar processos similares aos de tutores de resiliência, mesmo sendo ficcionais. Eles são fontes de inspiração positiva, como muitos estudiosos referem ao tratar do tema resiliência e tutores. Os personagens de superaventura fornecem certa estrutura afetiva, ao seu leitor/espectador, sendo fontes de superação e que inspiram, mostrando como enfrentar de maneira mais positiva esse processo.

O ambiente escolar é um dos contextos mais proximais de promoção de desenvolvimento pleno para as crianças e adolescentes. Porém, na realidade das escolas brasileiras, muitas situações de risco ameaçam e atravessam os processos de construção de aprendizagens saudáveis e de valores humanos e éticos. Assim sendo, uma intervenção psicoeducativa positiva em ambiente escolar foi criada e teve como propósito focar nesses aspectos usando a inspiração de super-heróis na sua etapa pré-capa/pré-máscara. O intuito é usar os super-heróis como objetivo implícito, “promover expressões de resiliência” nas crianças e adolescentes, trazendo os personagens como modelos de enfrentamento vitorioso da dor e do sofrimento. Para saber mais sobre o tema e os resultados dessa intervenção, conheça a obra Homens de Aço? Os super-heróis como tutores de resiliência, publicado pela Editora Appris.


 

Gelson Weschenfelder é professor e pesquisador. Pós-doutor em Educação, doutor e mestre em Educação, especializado em Ensino de Filosofia no ensino médio e graduado em Filosofia. Vencedor do 29.º Prêmio Jovem Cientista promovido pela CNPq, ficando em terceiro colocado na categoria doutor/mestre. É autor do livro Filosofando com os Super-Heróis, com o qual foi premiado como Livro do Ano em 2012 – Ages (Associação Gaúcha de Escritores) – e do livro Aristóteles e os super-heróis, além de participar e ter sido convidado para diversos capítulos de livro falando sobre o universo dos quadrinhos no ambiente escolar. É fundador do Grupo de Pesquisa Universos Paralelos: Arte Sequencial, Mediação Cultural e Práticas Pedagógicas.