16/10/2020

Existo: os que esperam pela adoção

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05/09/2019 - Alessandra Costa

Baseando-se no Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), podemos afirmar que o Brasil é um dos primeiros países a estabelecer leis que garantam direitos à criança e ao adolescente. Porém, muitas dessas leis, dentre elas, a Lei de n.º 8.069, de julho, 1990, do Artigo 7° ao 16, que garante saúde, moradia, alimentação, lazer, liberdade, dignidade, não são respeitadas, tendo em vista os grandes números de casos de abandonos de crianças e jovens, espalhados pelas mais diversas regiões do nosso país. Diante desses dados alarmantes, faz-se necessário discutir a importância do processo adotivo, uma vez que esse ato tem a capacidade de modificar a vida de milhares de crianças e jovens institucionalizados.

Quando nos propomos a falar sobre adoção ou quando somos lembrados desse assunto, ainda tão presente no nosso cotidiano, não mensuramos a quantidade de crianças que buscam por uma família, e que a realidade delas vai além das matérias especiais que passam anualmente nos jornais. Diante disso, falar sobre adoção torna-se urgente, principalmente sobre os perfis que distancia muitas crianças e jovens de seus futuros pais.

Como consequência, muito se fala na demora da adoção nas enormes filas, na imensa quantidade de crianças nos abrigos, como mostram dados do CNA. O que, no entanto, não se fala é que muitas pessoas ficam aguardando a criança “perfeita” e acabam desistindo de adotar a criança mais velha, doente, negra e deficiente que está lá, esperando ansiosamente pela oportunidade de receber amor, carinho, proteção, aguardando a chance de ter uma família, uma vida digna, alegre e feliz, conforme garante nossa Constituição.

O perfil estabelecido faz com o que o processo de adoção, que poderia ser um ato de amor – e não de regalias –, adie o tão sonhado convívio familiar, todavia é uma realidade que nem o Estatuto e nem a justiça brasileira conseguiram mudar: o “duplo abandono”. E assim, mesmo diante de todos os processos legais, os argumentos para  se adotar, segundo o CNA, tornam-se os mesmos, ou seja, a escolha dos futuros pais não se associa com as características do futuro filho.

Desse modo, fez-se necessária a criação do livro Existimos: a vida de quem nunca foi adotado, da autora Alessandra Costa, no qual há histórias de jovens que, por suas limitações físicas e mentais, não foram escolhidos e não fazem mais parte do cadastro de adoção, por completar sua maior idade.


 

Alessandra Costa é bacharela em Jornalismo pela Faculdade Cearense, em Fortaleza, Ceará. Trabalha com assessoria de comunicação sindical desde o sexto semestre da graduação. Entre eles estão: Sindicatos dos Trabalhadores do Departamento Estadual de Trânsito do Ceará (Detran-CE), Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado Ceará (Adepol-CE) e o Fórum Unificados das Associações e Sindicato dos Servidores Estaduais do Ceará (Fuaspec), todas elas assessoradas pela jornalista em período de estágio. Atuante em projetos sociais e comunicação comunitária, o Pirabum News,  jornal eletrônico com alcance de 500mil visualizações diárias, foi uma das suas últimas atuações no mercado de trabalho. Cerca de 30 matérias foram apuradas, escritas, editadas e veiculadas pela jornalista.