27/10/2020

Nos 70 anos da TV Brasileira, seu melhor upgrade, depois das cores, ainda tem muita história para contar

Tags: BLOG

27/10/2020 

Ao completar sete décadas de existência, a Televisão Brasileira se consolidou como uma das mais importantes indústrias audiovisuais do gênero no planeta. É inegável que a aventura começada por Assis Chateaubriand em 1950 de fato mudou toda a vida da sociedade brasileira. Mas toda história oficial esconde aspectos pouco conhecidos, e o advento da TV Digital brasileira parece estar sendo um desses: a implantação da TV Digital no Brasil.

É que a transição do sistema tecnológico, oficialmente iniciado em 2016, mas em estudos desde o século passado, tem características que contam com aspectos que refletem a história da TV brasileira com um todo: jogos de poder, predominância dos interesses comerciais sobre o público, desperdício de recursos e ampliação das desigualdades sociais e culturais. Mas também reforça a riqueza da ciência brasileira, como o sistema Ginga e o Projeto Brasil 4D e a vocação dos pesquisadores nacionais na busca de tecnologias inclusivas e sociais.

A TV Digital brasileira surge como uma esperança do uso do veículo de comunicação de massa mais popular e influente do país. É que sua tecnologia favorece ampliação de canais, interatividade, tráfego de dados, melhor qualidade de sinal e robustez para se ter TV em qualquer lugar. As três primeiras características favorecem o uso da televisão para uma inclusão digital, testadas e aprovadas em projetos pilotos, assim como a multiprogramação ajudam na diversidade em outros países. Mas, até o momento, só os dois últimos atributos têm sido levadas em conta. É como se tivéssemos uma Ferrari em casa, mas só podemos utilizar a primeira marcha!

Portanto, nesse momento que os documentários sobre os 70 anos da TV Brasileira falam de TV Tupi à Rede Globo, um conjunto de pesquisadores quer contar uma parte desconhecida – propositalmente – dessa história. É disso que trata o trabalho de pesquisadores de Belo Horizonte e Brasília que lançaram o livro TV Digital no Brasil: estudos sobre a transição analógico-digital em Brasília e Belo Horizonte. As duas cidades foram as escolhidas por terem tido experiências de massa no processo de transição, ao envolver sua população.

Incomodados com isso desde o início da implantação da TV Digital, um grupo de pesquisadores de Brasília e Belo Horizonte se dedicou a mergulhar no justo momento onde as diferenças entre a TV analógica e a TV Digital mais teriam oportunidade de se manifestarem: durante as semanas que antecederam e sucederam o desligamento de um sinal e a ativação do outro. TV Digital no Brasil: a transição analógico-digital em Brasília e Belo Horizonte se voltou para a experiência cotidiana de diversos segmentos sociais, como estudantes, trabalhadores, donas de casa, surdos, educadores infantis, famílias carentes, quando na transição para a TV Digital. O objetivo foi entender o que mudou (ou não) com a transição tecnológica, uma vez que a televisão continua sendo um dos meios de comunicação mais enraizados na cultura brasileira, além de acessível a praticamente toda a população.

A obra discute e critica os recursos da TV Digital que ainda podem ser implementados, como o da multiprogramação e a interatividade, o envio de dados e a inclusão digital, com exemplos do que já foi feito e do que ainda pode-se fazer. O livro é lançado no momento que, para atender às necessidades de informação durante a pandemia do Covid-19, o Poder Executivo liberou, por meio de Decreto no dia 04 de abril, a multiprogramação. Este recurso permite a um mesmo canal transmitir de quatro a mais faixas de programação simultaneamente. Durante 12 meses, conteúdos de saúde, educação, ciência e tecnologia estarão disponíveis por meio de uma parceria entre as emissoras, a União, os estados e os municípios. Tal exemplo mostra alguns dos aspectos negligenciados a partir das melhorias sobre o sistema analógico, como se somente a melhoria da imagem e do som fosse o que de melhor a TV Digital tivesse a oferecer.

A coletânea de artigos, organizada pelos professores Cláudio Magalhães e Cláudia Chaves Fonseca, conta com contribuições de especialistas em estudos de televisão, como Cosette Castro, Alexandre Kieling, Adriano Adoryan e Paschoal Neto, e os pesquisadores do Distrito Federal e de Minas Gerais, André Ferreira Santana, Angela Araújo Costa, Caetano Bonfim Ferreira, Carlos Alexandre Geraime, Eudes Moreira Sobrinho, Flávia dos Santos Pereira, Gledson Alessandro Silva Santos, Kênia Freitas, Mirla Carolina Braga do Carmo, Sérgio Luis de Jesus, Veridiana Antônia Alves de Souza e Wellington Nora Soares. Ainda contou com a participação dos pesquisadores Fernando Moreira, Neuza Meller e Alzimar Ramalho nos pré e posfácios.

TV Digital no Brasil: a transição analógico-digital em Brasília e Belo Horizonte está sendo lançado no formato impresso e e-book e pode ser encontrado nas livrarias virtuais e no site da Editora Appris. A publicação é uma realização do Núcleo de Estudos da Realidade Digital – NERD e da ABTU – Associação Brasileira de Televisão Universitária.

Contato: Prof. Cláudio Magalhães – (31) 99922.4362 – claudiomagalhaes@uol.com.br