29/10/2020

Conheça o livro: Movimentos Sociais e Resistência no Sul do Brasil

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29/10/2020 - As autoras. 

Como se articulam as lutas sociais e a resistência no Sul do Brasil? Essa foi a questão que tínhamos em mente quando pensamos em organizar este livro. Sobre a região Sul, por suas particularidades históricas, construiu-se um imaginário, em especial nos últimos anos, de local do conservadorismo, em que haveria um domínio de ideias reacionárias. Segundo tal imaginário, o desenvolvimento da região seria oriundo do trabalho árduo de imigrantes europeus brancos, ignorando a contribuição das mulheres, dos indígenas, dos negros, das pessoas LGBT+, dos quilombolas e dos camponeses. O reiterado discurso do pioneirismo de imigrantes europeus tem historicamente invisibilizado e, muitas vezes, excluído a participação desses setores da população do cenário cultural e político do país.

De fato, constata-se a existência de movimentos de cunho separatista e fascista na região. No entanto convivem ao lado deles uma série de movimentos sociais progressistas que, acreditamos, não receberam tanta visibilidade nos últimos anos.

Movimentos sociais e resistência no Sul do Brasil tem o objetivo de trazer à tona a agência de indivíduos e grupos que, desde o Sul, têm lutado por um Brasil e um mundo melhores ao longo do tempo. Seus capítulos abordam as lutas, resistências e conquistas dos principais movimentos sociais do país na contemporaneidade, como: movimentos de resistência negra, feminista, de luta pela terra (MST, indígenas e quilombolas), LGBT+, ambientalista, agroecológico, estudantil, operário, as Diretas-Já, a luta pela moradia e a defesa do patrimônio e da soberania alimentar.

Quando começamos a organizar Movimentos sociais e resistência no Sul do Brasil, em maio de 2018, sabíamos que esta publicação era necessária e original. No entanto, à medida que os artigos ficavam prontos, o contexto nacional nos mostrava que ela é mais atual e oportuna do que nunca. As lutas dos movimentos sociais da região sul, engendradas localmente e articuladas em âmbito nacional, podem servir de farol para um país que necessita valorizar a agência de seu povo, insistir na participação política diária, resguardar sua soberania e descolonizar sua alma.

Acesse a obra: Movimentos Sociais e Resistência no Sul do Brasil


 

Rose Elke Debiasi: Historiadora e museóloga pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), doutora em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pós-doutora pela UFSC. É, ainda, professora no Curso de Museologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Dedica-se à pesquisa de temas relacionados à memória, à militância e ao patrimônio cultural dos povos do campo, em especial, do MST. É uma das organizadoras da coletânea Terra e memórias: vivências, conflitos e conquistas no(s) rural(is) do Brasil (2018).

Elenita Malta Pereira: Graduada, mestre e doutora em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pesquisa o ambientalismo brasileiro por meio do método biográfico e da perspectiva teórica da história ambiental, analisando a trajetória de sujeitos e coletivos ambientalistas, as influências de suas ideias e práticas na história do Brasil. Autora de Roessler: o homem que amava a natureza (Oikos, 2013) e A conquista da cidadania: movimentos sociais na história do Brasil (Unicentro/UAB, 2015). É uma das organizadoras da coletânea História ambiental no Rio Grande do Sul (Univates, 2014). Atualmente é professora de História na Unicentro.