11/11/2020

Como o cérebro funciona. Que cérebro?

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11/11/2020 - Waldemar de Gregori 

A pandemia obrigou as famílias e os professores a exibirem novas competências didáticas, condicionadas ao uso da tecnologia digital. Será que o problema maior é o uso da informática ou o uso do cérebro?

O computador não tem provado melhoria na aprendizagem dos conteúdos curriculares, desde o trabalho pioneiro de Seymour Papert que lançou o projeto LOGO, criticado por ele mesmo 20 anos depois.[1]

Então, o problema maior é o uso do cérebro. Quem mais se aproximou dessa questão na educação foram L. Vygosty, com sua Formação Social da Mente, e J. Piaget, com as fases da evolução mental em sua Epistemologia Genética. Mais recentes são as teorias de Howard Gardner em Inteligências Múltiplas (1983), a de Daniel Goleman em Inteligência Emocional (1986) e a da bióloga e neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel em Neurociência do Aprendizado (YouTube).

Mas que teoria tem eles todos sobre a estrutura anatômica do cérebro e suas funções reunidas sob o conceito “mente”?

Suzana Herculano usa a teoria do “cérebro dividido” (dois hemisférios) do Prêmio Nobel de Medicina de 1981, Roger Sperry, associada a conceitos da topografia cerebral da medicina. Os demais não mencionam nenhuma, o que equivale a dizer que usam inconscientemente a teoria do cérebro monádico, ou seja, uma coleção de unidades, como a lista das inteligências múltiplas, sem formar um todo sistêmico triúno.

— Por que triúno?

— Porque a matriz de todos os seres e padrões é a energia triúna comprovada nos três elementos (tríade) do átomo e nos três quarks/léptons (tríade) de cada elemento do átomo. Por isso, o cérebro segue o mesmo padrão. Foi o que anteviu Freud, sugerindo uma estrutura triádica do cérebro em id, ego e superego. Nos anos 70, o neurólogo Paul MacLean confirmou em laboratório a hipótese de Freud estabelecendo a estrutura triádica composta pelo cerebelo, que chamou de reptiliano com funções de reprodução/sobrevivência como base, sobre a qual se desenvolveu o cérebro límbico emocional-relacional, com cobertura do neocórtex processador de informações. Chamou sua teoria de Cérebro Triúno, que se representa como estrutura vertical.

Essa teoria vertical não é muito apropriada para fins didático-pedagógicos. Por isso, W. Gregori tomou a teoria dos dois hemisférios de Roger Sperry e associou-lhe o conjunto reptiliano-cerebelo de MacLean como a parte central e enlaçadora dos dois hemisférios pelo corpo caloso, apresentando, assim, uma visão triúna horizontal do cérebro.

 

O currículo escolar, seja presencial ou on-line, está 80% direcionado ao hemisfério esquerdo teórico, sem cumprir com o ciclo tricerebral de pesquisa-criatividade-ação ou saber-ser-agir.

As teorias de ensino-aprendizagem, bem como teorias de ciências sociais que não estiverem centradas no cérebro triúno, que segue o padrão triúno da complexificação da energia, estão extraviadas da física quântica e da melhor neurociência. O paradigma triúno leva à convergência, à cooperação, à proporcionalidade, enquanto o paradigma monádico de especialistas ergue torres de Babel, torrentes de teorias digressivas e o caos destrutivo que temos.

Acesse a obra do autor: Neuroeducação para o Êxito: Construção-Produtividade-Decadência dos Três Cérebros e Suas Competências.

[1] Ver obra PAPERT, Seymour. A máquina das crianças. Porto Alegre: Artmed, 2008.


W. Gregori é formado em Filosofia-Teologia e em Letras, com mestrado e doutorado em Sociologia Política na Fesp/USP. É autor da Criatividade Comunitária e da Teoria da Cibernética Social Proporcionalista que criou os fundamentos e as ferramentas para a Ciência Social Geral. Entre suas publicações estão: Cibernética Social; Capital Tricerebral; Educação do Opressor, do Oprimido e do Revolucionário da América Latina; Sociologia Política Pós-capitalista, Pós-socialista; Ciência Social Geral etc.