15/12/2020

Da Monarquia à República: o poder bélico das palavras na mudança do regime político no Brasil

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15/12/2020 - Daiane Lopes Elias

A partir da segunda metade do século XIX, a monarquia brasileira passou a ser intensamente questionada por determinados grupos sociais insatisfeitos com a pouca atuação nos círculos do poder político. A busca pela inserção no campo da política por essa parcela da sociedade descontente se deu com a tentativa não apenas de deslegitimar a Monarquia, mas também de assumir o protagonismo, tomando para si os postos de mando do país. Para isso, os diferentes grupos adotaram táticas específicas contra o Império. Havia, por exemplo, por parte dos republicanos, pelo menos três correntes combativas, duas de inspiração francesa, a positivista e a jacobina, e uma terceira republicana-liberal, ligada ao modelo norte-americano.

As referidas correntes republicanas faziam uma frente de combate ao sistema monárquico. Contudo, esse embate se deu pelo uso da palavra escrita e bem falada, haja vista, por exemplo, a importante figura do orador e das técnicas retóricas utilizadas no convencimento da plateia. As palavras foram entendidas como “armas políticas” contra o Império. O embate discursivo foi capaz de ressignificar o vocabulário do período e criar um ambiente hostil para a manutenção da monarquia em um possível Terceiro Reinado. Estabeleceu-se, assim, uma guerra de palavras que construiu imagens opostas entre os regimes de governo.

A Monarquia passou a ser entendida como um sistema arcaico e de privilégios, enquanto que a República foi associada ao progresso e ao governo de si. A obra A guerra das palavras: o discurso político dos republicanos liberais na queda da monarquia no Brasil procura compreender como a construção narrativa dos republicanos liberais venceu a disputa política, a partir do estudo de seus atos de fala, principalmente, ao adaptarem e atribuírem novos significados aos termos, permitindo o surgimento de um novo contexto linguístico eficaz na mudança do sistema político no Brasil em 1889.


 

 

Daiane Lopes Elias possui bacharelado, licenciatura plena e mestrado em História pelo Programa de Pós-graduação em História Social (PPGHIS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde desenvolveu pesquisa com ênfase nos temas do Brasil-Império e República no Oitocentos. É doutora pelo Programa de Pós-graduação em História (PPGH) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde desenvolveu pesquisa sobre os discursos políticos dos republicanos liberais brasileiros em fins do século XIX para o XX. Atualmente é pós-doutoranda em História na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com pesquisa nos temas da história do Brasil-Império, República e história das ideias políticas.