18/12/2020

Música e cérebro

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18/12/2020 - Waldemar De Gregori

Catando, na Internet, música de fundo para meu trabalho de escritor, topei com um “Música Clássica para Estimular um Supercérebro”. Já havia encontrado outros endereços, recomendando que a música de fundo fosse só instrumental, já que a letra levaria a distrair o estudante ou escritor. Certo.

As autorias e as obras clássicas são muitas e belas, mas são indicadas para um cérebro geral, indefinido, ou dirigidas à memória ou à sensibilidade e a outras faculdades ou competências mentais.

Com a apresentação do cérebro triúno pelas neurociências, será mais produtivo classificar alguns autores e suas obras de acordo com as características de cada um dos três blocos de funções mentais e sua música preferida.

Desde as canções de ninar para adormecer, desde a música gregoriana dos conventos para acalmar-se e meditar, desde as rodopiantes valsas para as festas até as óperas de Vivaldi, Mozart, Tchaikovsky, todos sabem que são sonoridades emocionais, de hemisfério direito, que inspiram amor, alegria, convivência fraterna e espiritual.

Embora a maioria pense que música clássica seja coisa de hemisfério esquerdo intelectual e burguês, não é bem assim. As maiores criações de Chico Buarque são de cérebro esquerdo, não só pela letra, mas principalmente pela sonoridade mais elaborada. Porém, o mestre da musicalidade de cérebro esquerdo é Bach com suas fugas de estrutura matemática, com repetições em outras escalas ou tonalidades.

A produção musical em épocas de disputas, revoluções e guerras (basta recordar a execução do hino nacional de cada time da Copa Libertadores) é para despertar força, valor frente ao embate, decisão de matar e morrer, o que é típico do bloco central do cérebro. Com a atrofia emocional-moral do hemisfério direito, com a desmoralização da ciência e racionalidade do hemisfério esquerdo, cresce o rumor de tambores e baterias da sonoridade primitiva do cérebro central, com rock pauleira, com o funk, com a música marcial. O clássico mais conhecido desse gênero é Wagner. O popular: J. Sousa.

Em outros tempos, tocavam o sino da Ave Maria de manhã e no fim da tarde, fazendo um chamado para o cérebro direito. Conheço um país da América Latina que toca seu hino nacional às 6h00 da manhã e às 6h00 da tarde, fazendo um chamado para o cérebro central: é o mais violento da região.

Em cada momento do dia, da semana ou da vida, você precisará estimular mais um ou outro dos três blocos cerebrais. Seja mais específico e escolha a música mais estimulante para cada um deles. E fique turbinado!

Acesse a obra do autor: Neuroeducação para o Êxito: Construção-Produtividade-Decadência dos Três Cérebros e Suas Competências


W. Gregori é formado em Filosofia-Teologia e em Letras, com mestrado e doutorado em Sociologia Política na Fesp/USP. É autor da Criatividade Comunitária e da Teoria da Cibernética Social Proporcionalista que criou os fundamentos e as ferramentas para a Ciência Social Geral. Entre suas publicações estão: Cibernética Social; Capital Tricerebral; Educação do Opressor, do Oprimido e do Revolucionário da América Latina; Sociologia Política Pós-capitalista, Pós-socialista; Ciência Social Geral etc.