15/02/2021

Conheça a obra: O Que faz um “Bom” Professor de Português?

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15/02/2021 - Maria da Conceição Azevêdo, Pedro Otávio Martins da Silva, Ruan Sariel Mesquita Ramos

O que define um “bom” professor de Português? Para ser um “bom” professor nessa área, o profissional precisa dominar as regras e nomenclaturas da gramática normativa? Ou o relevante é que saiba “explicar bem”, que tenha “didática”? É importante, na definição desse perfil, que o docente consiga relacionar o conteúdo à realidade dos alunos? Ou o essencial consiste em saber se relacionar com os estudantes? Esses questionamentos e outros mais nos levam a pensar se é possível identificar as características que compõem o perfil de um “bom” professor de Português[1].

Sabemos que o profissional do ensino exerce um papel central nos processos de educação formal em sociedade, portanto, as expectativas construídas em torno do seu desempenho são múltiplas e variadas, constituindo representações sociais que se tornam objetos de grande relevância não apenas para os estudantes, mas para as pessoas em geral. Basta observar, nesse sentido, as várias manifestações dessas representações nos diversos espaços midiáticos, por exemplo. Isso se torna ainda mais perceptível quando pensamos no professor de Português, disciplina considerada essencial em todos os níveis de ensino.

Quando nos debruçamos sobre vários estudos que tematizam o “bom” professor, percebemos que a área específica de Língua Portuguesa não se destaca nessas pesquisas, sendo a maioria delas desenvolvida a partir de perspectivas mais abrangentes e bastante variadas, englobando uma diversidade de cursos simultaneamente ou algum curso distinto dessa área. Há, por exemplo, estudos que tematizam o “bom” professor sob o ponto de vista dos próprios docentes, dos alunos, dos documentos oficiais etc.

Porém o que pensam aquelas pessoas que optaram por cursar Letras – Língua Portuguesa? Curso que, por lei, é exigido a quem deseja se tornar professor dessa disciplina. Não podemos desconsiderar a grande relevância do papel exercido por estudantes e egressos no processo de ensino e aprendizagem, especialmente quando voltamos o olhar para a formação docente inicial, momento em que são preparados, formal e institucionalmente, para se tornarem professores e professoras, sob a tutela de uma instituição formadora.

Como esses licenciandos e licenciados constroem as representações sociais sobre o “bom” professor de sua área? De que modo isso afeta seu processo de formação e construção identitária profissional? Os estudos desenvolvidos em torno desse tema e mais especificamente na área da Língua Portuguesa são pouco representativos.

Esse parece ser um objeto ainda não muito explorado na vasta literatura que se debruça sobre o professor, voltada em grande medida para a educação básica. E menos explorado ainda quando consideramos o volume das pesquisas que tematizam o professor e sua formação desenvolvidas no Norte do Brasil, em comparação a outras regiões do país. Temos, portanto, uma lacuna a preencher, por meio do desenvolvimento de pesquisas que poderão ser muito produtivas para a área mais ampla da formação de professores.

Para saber mais sobre o tema brevemente discutido aqui, conheça a obra O que faz um “bom” professor de Português.

[1] Esclarecemos que a utilização do substantivo “professor” e do adjetivo “bom”, ambos no masculino singular, deve ser compreendida sem nenhuma conotação de hegemonia de um gênero sobre outro. A sua utilização pretende ser generalizante, em termos de abranger todo e qualquer ser humano que atue na profissão docente, independentemente de seu gênero.


Maria da Conceição Azevêdo é doutora em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP/2015), mestra em Letras pela Universidade Federal do Pará (Ufpa/2008) e graduada em Letras – Português e Inglês e respectivas Literaturas – pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN/1992). Docente da Faculdade de Letras da Ufpa no campus de Bragança (Fale-Cbrag/2005). Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Ensino de Línguas, Trabalho e Formação Docente (Gepelf). Professora de Língua Portuguesa e Literatura na educação básica (1991-2005). Tem experiência nas áreas de Linguística, com ênfase em Linguística Aplicada e Linguística Textual, e de Educação, com ênfase em Formação de Professores. Atua principalmente nos seguintes temas: ensino e aprendizagem de Português (língua materna), trabalho docente e formação inicial de professores (estágio supervisionado, saberes docentes e identidade profissional).

 


Pedro Otávio Martins da Silva é graduado em Letras – Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Pará (Ufpa/2020), na Faculdade de Letras, campus de Bragança (Fale-Cbrag). Atuou como voluntário do Programa Institucional Voluntário de Iniciação Científica (Pivic-Ufpa/2018-2019), como estagiário do Projeto Aprender Mais Ensino Médio, da Secretaria de Educação do Estado do Pará (Seduc-PA/2017-2019), e como bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Extensão (Pibex-Ufpa/2019-2020). É membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em Ensino de Línguas, Trabalho e Formação Docente (Gepelf).

 


Ruan Sariel Mesquita Ramos é graduado em Letras – Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Pará (Ufpa/2020), na Faculdade de Letras, campus de Bragança (Fale-Cbrag). Atuou como estagiário do Projeto Aprender Mais Ensino Médio, da Secretaria de Educação do Estado do Pará (Seduc-PA/2017-2018) e como voluntário do Programa Institucional Voluntário de Iniciação Científica (Pivic-Ufpa/2018-2019). É membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em Ensino de Línguas, Trabalho e Formação Docente (Gepelf).