25/02/2021

Quando é que o objeto amoroso sai da ordem do desejo para se colocar na ordem da necessidade?

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25/02/2021 - Maria Liliane Gomes dos Santos

Se o amor corresponde ao falo e o companheiro é quem faz semblante para a demanda de amor, a separação implica um forte sofrimento, que não se limita à perda do objeto, mas à perda de um ideal amoroso favorecido pela cultura e erguido dentro de si, o que dificilmente será abandonado sem sua parcela de dor e sofrimento. Abdicar do amor e do lugar de objeto do desejo do outro implica à mulher renunciar ao falo e recriar possibilidades para si, que ultrapassem a referência fálica. Trata-se de abrir mão de um lugar onipotente e permitir uma vivência inventiva de criação com o nada. Ao passo que a negação da castração e a não aceitação dessa condição de faltante coloca a mulher em uma situação de dependência diante do homem que supostamente a completa, ocasião em que ela acredita não poder viver sem ele, dado que a sua ausência escancara em si a falta em carne viva. 

Para saber mais sobre o tema, leia Os sintomas e hematomas do amor.


 

Maria Liliane Gomes dos Santos é psicóloga, mestra em Psicologia, docente da Universidade Federal do Acre e membro do Laboratório de Estudos e Pesquisas Feministas em Saúde Mental, Cultura e Psicanálise.