26/07/2021

Metamorfose: outro olhar, outras conexões em disciplinas das Ciências Humanas

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26/07/2021 -  Albenides Ramos

Sinteticamente, o que é transdisciplinaridade e como usá-la a seu favor? Como eu posso desenvolver habilidades que me levem a construir pontes ao invés de muros entre as CHs?

O francês Edgar Morin, centenário autor de Teoria do Pensamento Complexo e outras obras filosóficas e sociológicas, testemunhou guerras, regimes hegemônicos, explosões sociais e revoluções tecnológicas. Diante disso, ele nos alerta que: “esta crise aberta pela pandemia me surpreendeu enormemente. Mas não surpreende minha forma de pensar, ao contrário, a confirmou. Afinal, sou filho de todas as crises. O leitor compreenderá, então, que eu considere normal esperar o inesperado e prever que o imprevisível pode acontecer”.

Exemplo: o grande desafio ao reagir à pandemia é precisar olhar – o que nem sempre lideranças políticas fizeram – o planeta pelo prisma da Natureza e não da política, da economia ou da ideologia. Evitemos a mistura tóxica de obscurantismo, negacionismos, anacronismos, fake news, redes sociais e internet, a qual quer mudar a ciência da História. Atentadas contra cidadãos, a ciência, a natureza e a educação são perpetradas a toda hora!

Morin recomenda-nos também a mudar de via. É preciso “metamorfosearmo-nos” (mudança rápida e intensa na forma, estrutura e hábitos no ciclo da vida, como ocorre na borboleta). Daí pensar a complexidade – com ferramentas intelectuais que nos ajudam a superar dicotomias – para evitar fragmentações do ser, da realidade, do objeto... e melhor compreender relações de interdependências e inter-relações, que nos ajudam a problematizar o real, a tecnologia, o mundo e a vida. E o mundo funciona de modo sistêmico – organizacional, constituído de totalidade/partes, cujo padrão funciona em rede.

Concordamos com cientistas como Morin quando dizem que precisamos passar do saber segmentado predominante no nosso ensino para a inter/transdisciplinaridade, quebrando antigos paradigmas. Estudar, pesquisar e compreender um tema como o mar, por exemplo, é mais do que curiosidade. De qualquer ângulo, a abordagem transdisciplinar permite “navegar na complexidade”, analisando paisagens como momentos de uma história em curso. Além de oferecer alimento, matérias-primas e outros recursos, o mar é uma via de comunicação, espaço estratégico e fonte de lazer. À primeira vista, as paisagens remetem-nos às Ciências Humanas, pois propõem situações de aprendizagem que superam o senso comum, proporcionando novo olhar ao mundo a partir de três elementos: conhecimento prévio, conceitos científicos e realidade. Se interagimos a Geografia com a História, constatamos que os oceanos e suas explorações datam desde a pré-História: a pesca, o transporte marítimo, a expansão colonial e, quiçá, a primeira globalização econômica, que chega aos dias atuais com o capitalismo financeiro.

Para conclusão, destacamos nossa afirmação “A transdisciplinaridade não constitui uma nova religião, nem uma nova filosofia, nem uma nova metafísica, nem uma ciência das ciências” e um detalhe da Catedral de Brasília, a seguir:

 

A cúpula da Catedral de Brasília, grandiosa obra de Oscar Niemeyer, emerge do plano do terreno e abre-se em direção ao firmamento. Seus 16 pilares curvos de concreto unidos por painéis de vitrais dão leveza ao conjunto e possibilitam a luz natural entrar. Eles apresentam um visual celestial, com ondas siderais em branco, azul e verde. Experimente visitar seu interior e refletir sobre o diálogo de razão e emoção, nem sempre valorizada nas chamadas “ciências duras”. Como dizemos em nosso livro, “cada um de nós – em contínua construção –, dialogando permanentemente e aprendendo com o mundo, fazemos interseção da ciência com tecnologia, com a arte, a música, a literatura, enfim com o nosso emocional”.

Acesse o livro Conectando as Ciências Humanas: Novos Olhares sobre a Transdisciplinaridade escrito pelos autores Albenides Ramos e Mario Luis Grangeia.