23/09/2021

A crise climática e a Greve Global pelo Clima

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23/09/2021 - Thaisa Toscano Tanus

Que o Planeta Terra está esquentando, todos sabem disso (à exceção dos negacionistas). E o mais recente relatório do IPCC (Painel Governamental para as Mudanças Climáticas das Nações Unidas) não é dos mais animadores: não há mais como evitar que o mundo esquente 1,5ºC até o final do século. Essa elevação de temperatura é iminente, a não ser que se cortem as emissões globais de carbono em 50% até 2030 e em 100% até 2050. Pelo andar da carruagem, significa dizer que conter esse aquecimento será praticamente impossível.

Até a presente data, o mundo já aqueceu 1,1ºC em razão das mudanças climáticas antropogênicas, o que, desde os anos 1960, já causou uma queda de 21% na produtividade agrícola global. O Brasil enfrenta uma grave crise hídrica que poderá impactar principalmente as regiões Centro-Oeste e Sudeste, cujos reservatórios estão operando com capacidade muito abaixo de 20%, o que gerará prejuízos e transtornos às atividades econômicas e à população. Não há dúvidas de que no futuro faltará água e comida.

O IPCC apresenta vários cenários de elevação da temperatura global até o ano 2100, do mais otimista ao mais crítico, sendo, resumidamente:

Cenário 1: Carbono zero até 2050 = aquecimento entre 1,4 e 1,6ºC;

Cenário 2: Carbono zero até 2075 = aquecimento de 1,8ºC;

Cenário 3: Manutenção do nível atual de emissões = aquecimento de 2,7ºC;

Cenário 4: Emissões em dobro do nível atual = aquecimento de 3,6ºC;

Cenário 5: Emissões em triplo do nível atual = aquecimento de 4,4ºC.

Sendo que qualquer cenário com elevação de temperatura acima de 2ºC implicaria efeitos catastróficos para o planeta, e talvez para a sobrevivência da espécie humana.

Esse é o objetivo do movimento “Greve Global pelo Clima”, que acontecerá no dia 24 de setembro de 2021 no mundo todo, o qual busca conscientizar pessoas das várias partes do globo para que se engajem e reivindiquem de seus governos o cumprimento do limite de 1,5ºC estabelecido pelo Acordo de Paris, em prol de uma proteção climática consistente.

Assim sendo, a liberdade das gerações futuras deve ser protegida, devendo os governos de todo o mundo oferecerem uma solução para a crise climática, de modo a tornar nossa sociedade mais moderna, justa e democrática, com a criação de milhões de empregos e a oferta de uma vida melhor para todos.

Para saber mais sobre o tema, conheça a obra Responsabilidade por danos ambientais: uma comparação entre Brasil e Alemanha – legislação e casos concretos.


Thaisa Toscano Tanus – graduanda em Direito pela Universidade Salgado de Oliveira, campus Goiânia, Brasil; pesquisadora em Direito Ambiental; membro do grupo de estudos e pesquisa em Constituição, Democracia e Direitos Fundamentais (CDDF); autora de artigos e capítulos de livros sobre a temática ambiental. Instagram: @ambiental.thaisa.toscano