28/10/2021

Conheça a obra: A Lei 11.645/2008: a história de como a temática indígena passou a ser obrigatória nas escolas brasileiras

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28/10/2021 -  Giovana de Cássia Ramos Fanelli.

Como se tem constituído a nossa identidade enquanto brasileiros? De que forma a história, a historiografia e, sobretudo, a história ensinada têm lidado com esse tema desde o momento que nos tornamos independentes? Essas são questões fundamentais que nos levam a pensar em que ponto estamos hoje, que protagonistas da história nacional sempre foram privilegiados e quais, por muito tempo, foram invisibilizados.

Desde a década de 1970, no período da Ditadura Civil-Militar (1964-1985), diversos movimentos sociais surgiram, principalmente nas cidades, e passaram a lutar por uma vida digna, buscando por trabalho, moradia e educação a todos. Porém, também houve o desenvolvimento de um movimento nunca antes visto no Brasil: o Movimento Indígena Brasileiro. Pautas como o direito às suas terras ancestrais, autodeterminação e saúde diferenciada eram os principais motes de reivindicações de indígenas de diversas partes do país.

Outra pauta importante foi a luta por uma escola não colonizadora, que não apagasse os conhecimentos ancestrais dos povos originários. Isso fez com que os professores indígenas refletissem também sobre a história do Brasil ensinada nas escolas dos “brancos”, entre os anos de 1980, 1990 e anos 2000, que os excluía como sujeitos históricos.

Como essas questões estão ligadas à Lei 11.645/2008? É justamente essa resposta que a autora buscou responder na obra A Lei 11.645/2008: a história de como a temática indígena passou a ser obrigatória nas escolas brasileiras. Giovana realizou um estudo profundo, entendendo essa importante mudança curricular numa perspectiva de “lutas políticas” e dentro de um contexto de mudanças históricas, políticas e sociais da sociedade brasileira, que se estende desde a formação do Movimento Indígena Brasileiro, nos anos 70, até as políticas públicas de inclusão à diversidade do governo Lula, entre 2003 e 2011.


 


Giovana de Cássia Ramos Fanelli é mestra pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, pelo Programa de Pós-Graduação em Educação: História, Política, Sociedade (2018). Graduada em História pela Universidade Metropolitana de Santos (2012) e em Ciências Sociais pelo Centro Universitário Fundação Santo André (1997). Também possui especialização lato sensu em História, Sociedade e Cultura pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2000). Professora de História desde 2000, lecionou em escolas particulares; desde 2002, atua no ensino de História para o ensino fundamental II e educação de jovens e adultos na rede municipal de São Paulo. Atualmente também integra o conselho consultivo da Revista Maí, publicada pela Secretaria Municipal de Educação da cidade de São Paulo, que versa sobre práticas pedagógicas em que o foco é a questão étnico-racial.