16/05/2022

Audismo e Surdez: A Formação de Subjetividades Surdas no Ensino Superior

Tags: BLOG

16/05/2022 - Por: Carlos Roberto de Oliveira Lima autor de Audismo e Surdez: A Formação de Subjetividades Surdas no Ensino Superior

Conhecer o sujeito requer entender que ele não existe enquanto forma acabada. O sujeito se constrói em suas relações sociais, e sua identidade é multifacetada. Isso o constitui como indivíduo social. Os sujeitos são construídos a partir de fragmentos das múltiplas identidades do nosso tempo, nos quais estão presentes as relações de poder e os discursos que ocupam um lugar nas práticas sociais.

Portanto, para que a surdez exista, é preciso que a inventemos de determinada forma – ou de diversas formas –, dependendo do conhecimento que estamos formando. Aqui, importa, porém, compreender os sujeitos surdos como matriz de experiência. Como sujeitos singulares e diferentes até mesmo dentro da própria classificação “surdez”. São sujeitos que se encontram eivados por diversos dispositivos, como o religioso, médico, político e pedagógico. A formação de suas subjetividades estão envoltas em redes de poder, mas, sempre em potência de resistir, persistir e modificar as dominações de suas tramas.

Para problematizar as formações de subjetividades surdas produzidas em uma instituição de ensino de nível superior, parece-me necessário caracterizá-la como um “dispositivo pedagógico” que passa a funcionar a partir de um (auto)disciplinamento, transmitindo também, uma experiência do sujeito sobre si mesmo e sobre os outros – tecnologias do eu – criando os regimes que os sujeitos passam a reconhecer como verdade.

Com base nesses entendimentos, os sujeitos se veem, se narram, se julgam, se descrevem e se conduzem mediante uma norma que será considerada por estes como verdade inquestionável. As verdades a que tais sujeitos estão submetidos, e, igualmente, reproduzem como um discurso verdadeiro, pode estar baseada em uma autoclassificação, um julgamento e uma condenação de si mesmos a partir do padrão social ouvinte.

Estas práticas audistas, por vezes, são encontradas tanto nos discursos surdos sobre si mesmos, revelando o quanto estão subjetivados pela norma da audição e desejam/possuem comportamentos que elegem o padrão ouvinte como referencial, quanto nos discursos surdos sobre o meio social em que estão inseridos, denunciando como são afrontados e como resistem a tais práticas que se estendem a outros níveis relacionais, como o núcleo familiar.

Para saber mais sobre esta discussão, conheça a obra Audismo e Surdez: A Formação de Subjetividades Surdas no Ensino Superior.

 


Carlos Roberto de Oliveira Lima Doutorando em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (PPGEdu/UFMS). Mestre em Educação (2021). Especialista em Libras pela Faculdade de Educação São Luís (2020). Graduado em Superior em Tecnologia em Logística pela Anhanguera Educacional (2014) e Licenciatura em Letras-Libras pela UNIASSELVI (2022). Tradutor Intérprete de Língua Brasileira de Sinais pela Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, campus do Pantanal (UFMS/CPAN). Aprovado no Exame de Proficiência (PROLIBRAS) em Tradução e Interpretação da Língua Brasileira de Sinais pela Universidade Federal de Santa Catarina (2015). Membro do Grupo de Estudos e de Investigação Acadêmicas nos Referenciais Foucaultianos (GEIARF/UFMS).