23/07/2019

Atividade física diária na terceira idade: Como começar?

Tags: BLOG

23/07/2019 - Por: Renata Jabour Saraiva

 

O envelhecimento é um processo biológico universal e, pode-se, portanto, afirmar que a variação percentual positiva da população idosa e a diminuição do crescimento demográfico resultante de menores taxas de natalidade e fecundidade devido a alterações de comportamento na sociedade atual, graficamente, passa a ser representada por uma pirâmide populacional invertida.

Por esse motivo, legisladores, entidades e representações da sociedade civil, assim como movimentos sociais, ocuparam-se em estabelecer políticas públicas buscando a promoção de saúde e a prevenção de doenças no processo de envelhecimento, proporcionando qualidade de vida prioritariamente aos idosos.

Cientificamente, sabe-se que o envelhecimento está associado ao acúmulo de perdas moleculares e celulares, contribuindo para a diminuição da capacidade de estabilidade da homeostase. A inatividade do idoso pode ser o gatilho de um círculo vicioso de isolamento social, fazendo com que haja carência de capacidade vital para tarefas simples e diárias.

Com a intenção de responder a esses desafios o Relatório Mundial sobre Envelhecimento e Saúde (OMS, 2015), foi estabelecido para recomendar mudanças, igualmente profundas, na maneira de formular políticas e de prestar serviços de saúde às populações que estão envelhecendo. Segundo o Relatório, “não há mais pessoa tipicamente velha”, pois existe uma grande diversidade de características. Alguns idosos maiores de 80 anos, ativos, apresentam níveis de capacidade física e mental comparáveis aos de muitos jovens de 20 anos.

Esses resultados contribuíram para os novos modelos assistenciais, visando a promoção da saúde, prevenção das doenças e identificação das prioridades do idoso, com vistas à manutenção ou ao restabelecimento de sua capacidade funcional, cognitiva e de sua autonomia para alcançar a qualidade de vida.

Estudos recentes em todo o mundo, revelam que a atividade física influencia positivamente a saúde e a cognição ao longo da vida. Os fatores sociais, econômicos, comportamentais, culturais, biológicos, genéticos, psicológicos, físicos e de gênero são determinantes ao envelhecimento ativo.

De acordo com Fernandez-Ballesteros (2009), as políticas públicas direcionadas ao idoso precisam envolver quatro tipos de componentes:

1) Reduzir os fatores de risco associados às doenças mais importantes e aumentar os fatores que favorecem a saúde comportamental e a boa forma física.

  • Assegurar alimentação adequada ao longo da vida;
  • prevenir o tabagismo e não ultrapassar os limites do consumo saudável de álcool;
  • políticas de controle do estado de saúde, uso de medicamentos prescritos e o seguimento e adesão aos tratamentos médicos;
  • promover a atividade física ao longo de todo o processo de envelhecimento.

2) Propiciar os fatores protetores do funcionamento cognitivo.

  • Implementar programas de alfabetização ao longo de toda a vida, assim como programas de formação contínua;
  • oportunizar a prática da atividade cognitiva na velhice;
  • fomentar a implicação em tarefas cognitivamente exigentes;
  • difundir o exercício de habilidades verbais e de comunicação.

3) Incentivar o afeto positivo, o controle e as habilidades para enfrentar o estresse e os problemas.

  • Articular acontecimentos agradáveis na velhice, como fatores preventivos da depressão e do isolamento;
  • motivar atitude ativa e adequada para enfrentar as dificuldades, a ansiedade e os conflitos;
  • provocar a confiança nas suas capacidades;
  • propagar o pensamento positivo e a percepção de controle.

4) Proporcionar o funcionamento psicossocial e a participação.

  • Fomentar a autonomia e a participação na tomada de decisão do idoso;
  • combater as imagens negativas sobre a velhice e o envelhecimento;
  • encorajar a confiança nas capacidades coletivas;
  • gerar comportamentos pró-sociais;
  • impulsionar a participação social.

Ao efetuar essa terapêutica, os profissionais de saúde passam a modificar suas ações na prática clínica, ter competências voltadas para o relacionamento colaborativo com enfoque na resolutividade de suas ações intencionando a reciprocidade entre profissionais envolvidos, idoso e familiar na busca do prazer de viver bem e saudável.

Com base no descrito, a prática da atividade física para o idoso apoia-se no juízo crítico, demonstrando ser essencial para obtenção da essência do fenômeno por meio da intersubjetividade das pessoas envolvidas, a compreensão do significado das vivências com a intenção de propiciar o ensino e aprendizado do autocuidado, visando a qualidade de vida ativa. Informações mais aprofundadas sobre o tema podem ser obtidas em As Interfaces da Sexualidade do Idoso: na visão dos profissionais de saúde, publicado pela Editora Appris - Curitiba, em 2017.

REFERÊNCIAS:

WHO, Organização Nacional de Saúde. Relatório Mundial de Envelhecimento e Saúde. Suíça. 2015. Disponível em: www.who.int
FERNANDEZ-BALLESTORES, R. Envejecimento activo – Contribuiciones de la Psicologia. Madri: Pirámide. 2009. p. 40-41.


Renata Jabour Saraiva é graduada em Enfermagem pela Universidade Estácio de Sá, mestre pela Escola de Enfermagem Anna Nery, doutora pela Escola de Enfermagem Anna Nery (UFRJ) com liberação de Bolsa Capes, doutora pela Escola de Enfermagem do Instituto Politécnico da Guarda – Portugal e pós-doutora pela Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa - UFF. Professora na graduação e na pós-graduação da Universidade Estácio de Sá, mobilidades presencial e EaD. Gestora do curso tecnológico de Gestão Hospitalar, mobilidade EaD, da Universidade Estácio de Sá. Avaliadora do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Linha de pesquisa na área de Enfermagem com ênfase em Consulta de Enfermagem, Ensino Tecnológico e Gerontologia.