05/11/2019

O caminho da educação inclusiva permeando escolas e instituições de acolhimento

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30/10/2019 - Por: Carolina Terribile Teixeira

O movimento pela inclusão abre espaço na sociedade para diversas minorias que, até então, estavam à margem em seus direitos como cidadãos. Após muita luta e conscientização – que não param com o alcance de objetivos, mas continuam resistindo às intolerâncias, ao cerceamento de direitos –, o acesso à saúde, à educação, ao trabalho, entre outros é garantido por lei àqueles que têm alguma deficiência.

Precisamos, cada vez mais, trabalhar em prol de uma sociedade que valorize cada um na sua forma de ser e de aprender, e que oportunize espaço para toda diversidade. Não basta apenas garantir direitos, acesso, é necessário refletir sempre a respeito do que é aprender, ensinar e como avaliar a aprendizagem, promover a permanência e o sucesso nos ambientes educacionais (escolas, cursos, universidades)...

Ultrapassamos 10 anos da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e, antes disso, já se falava sobre educação para todos, garantia de direitos, inclusão. Portanto nós, profissionais da educação, devemos estar abertos, disponíveis e atualizados para o trabalho com alunos da Educação Especial pública – lembrando que fazem parte deste grupo aqueles que apresentam algum tipo de deficiência, transtorno do espectro autista e/ou altas habilidades/superdotação.

Temos consciência de que não é uma simples tarefa, e envolve muito além do planejamento, por isso, a flexibilização – não apenas de ambientes, mas de conceitos, formas de agir e pensar frente ao que é diferente – também se faz imprescindível quando se fala em inclusão, pois vivemos em um processo histórico de exclusão, em que esta está arraigada na estrutura social na qual vivemos.

A exclusão não está apenas na falta de oportunidades, no preconceito, nas escolas que não assumem sua responsabilidade diante dos alunos que diferem do padrão idealizado, mas também está nas famílias que negligenciam e abandonam aquele membro que possui algum tipo de deficiência.

Nesse sentido, é oportuno refletirmos sobre as questões que envolvem o acolhimento institucional, pois este, também chamado de abrigo infantil, antigamente orfanato, por muito tempo foi um espaço onde se recolhiam crianças que não eram desejadas por suas famílias ou que por desventura da vida ficaram sem um lar, caracterizando um espaço de exclusão, pois crianças institucionalizadas acabam por ficar estigmatizadas pela sociedade que acompanha apenas de longe suas realidades.

No contexto mencionado encontramos crianças e adolescentes com deficiência que necessitam ser amparados e que também precisam usufruir de seus direitos. Assim, a instituição de acolhimento matricula os acolhidos em escolas geralmente próximas. Enfatizamos a importância de a instituição acompanhar o andamento do processo de aprendizagem e as relações estabelecidas pelas crianças no espaço escolar de forma  a garantir que estejam realmente incluídas.

A escola por sua vez, ao receber esses estudantes, deve conhecer suas especificidades e proporcionar-lhes um ambiente acolhedor e motivador para a aprendizagem. Conversar com professores, funcionários e colegas de turma muitas vezes tem um reflexo positivo nesse processo, pois possibilita que compreendam que aquele sujeito tem demandas diferentes e por isso vai contar com algumas adaptações, por exemplo. Assim, a escola organiza-se para oferecer o que é necessário para cada educando, adotando uma educação inclusiva.

É de suma importância que escola e a instituição de acolhimento mantenham um bom diálogo para o acompanhamento dos educandos com deficiência em situação de acolhimento institucional. A articulação entre os serviços que atendem a essas crianças e adolescentes é fundamental para que possam realizar um trabalho alinhado a atender suas demandas. A constituição de uma rede de proteção, atendimento e acompanhamento é uma boa opção de método de atuação indicada frente a esses casos.

Para saber mais sobre discussões que permeiam temas como educação inclusiva, acolhimento institucional e/ou educando com deficiência em situação de acolhimento, leia a obra Educação Inclusiva: articulações entre escola e instituição de acolhimento, publicado pela Editora Appris em 2019.


Carolina Terribile Teixeira é Mestra em Educação. Especialista em Gestão Educacional, em Psicopedagogia Clínica e Institucional; graduada em Educação Especial. Professora de Educação Especial na rede municipal de Canguçu; coordenadora de Educação Inclusiva na Secretaria de Educação desse município. Professora de Educação Especial na rede municipal de Santa Maria. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Educação Especial: Interação e Inclusão Social (UFSM).