17/02/2020

Competição entre espécies cultivadas e plantas daninhas

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17/02/2020 - Por: Fábio Santos Matos

A competição refere-se à disputa por  algum fator escasso necessário para o crescimento e desenvolvimento vegetal; porém quando o recurso é abundante e suficiente para todas as plantas, o termo competição se torna impertinente. As plantas daninhas apresentam potenciais para disputar os fatores de produção diferentes das espécies de interesse econômico.

As plantas competem principalmente por água, luz e nutrientes, mas secundariamente podem em alguma circunstância ocorrer competição por polinizadores e outros fatores. Em raríssimas circunstâncias, as espécies vegetais podem estar se desenvolvendo próximas sem ocorrência de competição por apresentarem exigências luminosas diferentes e extraírem solução do solo em horizontes distintos. No entanto rotineiramente a competição resulta em decréscimo do crescimento e comprometimento do desenvolvimento, pois é regra geral que uma planta  isolada sem vizinhas apresenta maior biomassa e produção de sementes.

Ao longo dos anos a seleção natural promoveu a permanência de plantas infestantes capazes de apresentar rápido estabelecimento no solo com desenvolvimento de raízes profundas e ramificadas com elevado potencial de extração de solução do solo. Esse célere desenvolvimento inicial fornece recursos para o crescimento da parte aérea que capta luz e rapidamente a planta se estabelece no ambiente. Na outra mão está o melhoramento em inúmeras espécies cultivadas como a soja, que cada vez mais “investe” recursos na parte aérea em detrimento do sistema radicular que apresenta baixo potencial de extração e estabelecimento mais lento.

A intervenção humana pelo controle químico (herbicidas), manual (capina) e outros é a indicação da dominância das plantas daninhas sobre as plantas cultivadas caso a condição natural permaneça inalterada. O potencial competitivo das plantas indesejáveis como o picão preto é muito maior que o de plantas exploradas economicamente como o feijoeiro. A capacidade de extração de solução do solo do picão preto é no mínimo três vezes maior que a da soja. Dessa forma, torna-se necessário o desenvolvimento de tecnologias cada vez mais eficazes e de baixo impacto ambiental para controle de plantas daninhas, pois o cenário é de cultivo biorracional com uso de produtos naturais como extrato de sorgo, girassol e outras espécies com potencial herbicida.

Para saber mais sobre o tema, conheça a obra FOLHA SECA: Introdução à fisiologia vegetal.


Fábio Santos Matos é professor da Universidade Estadual de Goiás, Câmpus Ipameri, especialista nas linhas de Ecofisiologia e Fisiologia da Produção Vegetal, Bolsista de Produtividade em Pesquisa pelo CNPq, doutor em Fitotecnia pela UFV. É docente da Universidade Estadual de Goiás, Câmpus Ipameri, membro permanente do mestrado em Produção Vegetal, editor da revista Agrotecnologia, atualmente diagramada em Ipameri. O professor Fábio desenvolve pesquisas nas linhas de Ecofisiologia e Fisiologia da produção Vegetal.