02/03/2020

O professor, as tecnologias digitais e o protagonismo do estudante na construção do conhecimento

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02/03/2020 - Por: Ana Maria de Oliveira Pereira

Existe uma inquietação muito grande no que diz respeito ao uso das tecnologias digitais em atividades de aula e a indisciplina dos estudantes em sala. É possível uma relação entre elas, porém, uma relação de transformação da segunda com a contribuição da primeira. Isto é, usar as tecnologias digitais nas aulas, proporcionando a mesma autonomia no uso destas que os estudantes possuem em seu dia a dia.

Passamos por um momento de grandes transformações no que diz respeito às tecnologias e, dentre elas, as digitais. Isso tudo teve início no século XX.  Adentrando no século XXI, as mudanças foram e estão sendo grandes em todas as áreas, porém, algumas com maior intensidade e outras nem tanto.

Ao se falar de atividades com uso de tecnologias digitais da informação e comunicação, nominada pela sigla de TDIC, na educação, nos deparamos com alguns entraves. Alguns de ordem técnica e outros didático pedagógica.

É importante termos claro que usar TDIC em sala de aula não significa somente mudança de suporte para desenvolver as atividades, ou seja, deixar de usar o quadro negro (que é verde) e passar a usar a lousa digital ou o projetor. Não estou dizendo aqui que esses recursos tecnológicos não são importantes e necessários, estou questionando o uso das TDIC como troca de suporte da aula com foco no professor e não no estudante.

A Base Nacional Comum Curricular enfatiza o uso das tecnologias digitais na Educação Básica para instigar o pensamento crítico, criativo e lógico, estimulando a curiosidade, o desenvolvimento motor e a linguagem. Destaca também o uso de forma consciente, responsável e proativa.

Para tal, chamamos atenção à formação do professor que irá trabalhar com esses estudantes. Além do indispensável conhecimento em relação à ciência que lhe proporcionou a formação inicial, os conhecimentos didáticos, pedagógicos e metodológicos pertinentes à licenciatura, existem os conhecimentos em relação a como utilizar as TDIC em atividades de aula, os quais denominamos letramento digital dos professores.

Um dos motivos da indisciplina e falta de atenção dos estudantes em sala de aula tem relação com os recursos metodológicos escolhidos pelo professor para desenvolver as aulas. A geração que está cursando a Educação Básica tem como característica fazer várias coisas ao mesmo tempo e estar sempre conectada, isso faz com que, ao chegar à sala de aula, pouca coisa atrai a atenção desses jovens.

No livro Aprender e ensinar Geografia na sociedade tecnológica: possibilidades e limitações, retomo alguns conceitos básicos relacionados à Educação Formal e à Geografia, faço um breve histórico da informática educativa no Brasil, bem como uma discussão sobre o letramento digital e  o modo geek de ser  dos jovens do século XXI. Além disso, apresento o resultado de pesquisa realizada com estudantes do ensino médio, na qual se utilizou as TDIC como recurso metodológico no desenvolvimento das aulas, com vistas ao protagonismo do estudante na relação com o conhecimento.


 

Sobre a autora: Ana Maria de Oliveira Pereira é graduada em Geografia com mestrado em Educação e doutorado em Diversidade Cultural e Inclusão Social. Professora adjunta da Universidade Federal da Fronteira Sul Campus Erechim - RS e Chapecó - SC, nos cursos de Geografia e Pedagogia e no Programa de Pós-Graduação em  Educação.  Foco de pesquisa nas áreas da Geografia Escolar; Formação de Professores; Informática na Educação; Metodologias de Ensino e Tecnologias Digitais na Educação. Pesquisadora do Núcleo de Estudos Território Ambiente e Paisagem - Território Ambiente e Paisagem – NETAP.