16/03/2020

As mudanças que têm impactado a escola e o trabalho dos coordenadores pedagógicos

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16/03/2020 - Por: Marili Vieira

Vivemos sob o impacto de muitas e constantes mudanças. A velocidade do desenvolvimento científico e tecnológico gera nos indivíduos um impacto significativo para que se mantenham atualizados. Para isso, há também que dominar o uso da tecnologia, das redes sociais e mídias que se relacionam com sua área de saber.

Ao professor, isso não é diferente. Talvez até o impacto seja ainda maior, pois a grande maioria dos professores hoje é do século XX ou início do século XXI e seus alunos nasceram no século XXI, com o mundo digital e virtual já a pleno vapor. Isso tem se apresentado como um desafio ao docente, que além de dominar sua área de saber e os saberes para ensinar, deverá saber articular esses dois saberes com o uso eficiente de recursos tecnológicos para que sua aula possa comunicar com os alunos.

Hoje, além desse desafio, os professores da Educação Básica se veem em meio a mudanças de currículo, mudanças muito significativas. A Base Nacional Comum Curricular, do ensino fundamental e do ensino médio traz uma organização diferente dos conteúdos escolares e conhecimentos a serem apropriados pelos alunos. Isso afeta a maneira como os professores concebem o conhecimento, bem como o modo que organizam os processos de ensino e aprendizagem que irão propor para suas turmas.

Esse momento novo nas escolas demanda planejamento coletivo, entre as diferentes áreas do saber. Não cabe mais ao professor de Matemática planejar suas aulas separadamente dos professores de Língua Portuguesa. O planejamento colaborativo e coletivo, que promova o pensamento interdisciplinar; que lide com temáticas que atravessam as diferentes áreas do saber será cada vez mais o lugar comum.

Portanto, não é apenas o professor que está impactado, mas toda a escola, toda a atividade de organização do currículo e todas as pessoas, os profissionais, que lidam com o currículo escolar.

Isso em si gera uma série de sentimentos. Alguns sentirão alegria pelas mudanças, há tempos esperada. Outros sentirão muita ansiedade em relação ao novo. Insegurança para trabalhar pedagogicamente algo novo é um sentimento que poderá ser visto. O próprio coordenador pedagógico poderá também se sentir inseguro na liderança de seu grupo de professores; poderá ter medo de errar ou de demonstrar que ainda não dominou o processo. Enfim, teremos na escola, por algum tempo ainda, um fervilhar de emoções que impactarão o desempenho de cada um de nós.

Uma estratégia para lidar com isso é, primeiramente, ter consciência de que muitas emoções estarão circulando no ambiente. Saber “ler” e identificar essas emoções é o primeiro movimento para lidar com elas em si mesmo e na relação com as emoções dos outros. Depois, reconhecer que emoções e sentimentos podem contagiar um grupo. Esse reconhecimento requer que se cuide para que as frustrações não se amplifiquem e multipliquem no grupo, mas sejam trabalhadas, reconhecidas e resolvidas. Isso nos leva a um terceiro movimento, especialmente para o coordenador pedagógico, de saber ouvir o outro. Guimarães Rosa já afirmava, tão sabiamente: “o senhor me ouve, pensa e repensa, e rediz, então me ajuda".  Ser capaz de ouvir o professor e ter a confiança dele para repetir o que ele disse, ajudando-o a dar sentido ao que está sentindo e falando, é um dos exercícios mais significativos no processo de liderança de um grupo de professores que vivem processos de mudança e de inovação. Esse é o desafio do coordenador pedagógico nesse momento que vivemos, com a implantação da BNCC. Além de dominar o conhecimento relativo às proposições didático-pedagógicas e epistemológicas da BNCC, a capacidade de se relacionar com os professores é o elemento que poderá trazer ações bem sucedidas na escola.

Sobre lidar com as emoções no processo de mudança e de inovação com os professores, leia o livro: Coordenação Pedagógica: formação de professores e a gestão dos sentimentos em processos de inovação, da professora Marili Vieira.


 

Sobre a autora: Marili Vieira é Doutora e mestre em Educação (Psicologia da Educação) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e graduada em Pedagogia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1988), com habilitação em Orientação Educacional e Administração Escolar (1996). Foi professora de educação infantil e fundamental II. Atuou como diretora de escola em instituição particular, confessional, tradicional na cidade de São Paulo. Atuou como coordenadora pedagógica por dez anos, em duas instituições confessionais e tradicionais na cidade de São Paulo. Foi coordenadora de revisão pedagógica de material didático no Sistema Mackenzie de Ensino. Atualmente é professora no Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atuou como Pró-Reitora de Graduação e Assuntos Acadêmicos de 2017 a fevereiro de 2020 na Universidade Presbiteriana Mackenzie, sendo responsável por toda a parte pedagógica da graduação presencial e on-line. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Formação de Professores e Gestão Pedagógica, atuando principalmente com os seguintes temas: formação de professores, identidade profissional, projeto político pedagógico, processos de ensino e aprendizagem.