27/05/2020

O excepcional tecnológico: sua interferência, uso e nível de inclusão no nosso cotidiano

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25/01/2019 - Por: Luísa Amendola de Paiva e Matos

Meu nome é Luísa Amendola de Paiva e Matos, tenho 22 anos, sou formada em Publicidade e Propaganda, além de possuir técnico em Design Digital.

O TCC que defendi, enquanto estava na faculdade, tinha como tema a inteligência artificial, as ferramentas SEO e a crescente necessidade dessas no mercado.

Porém, depois de defender esse tema no TCC, percebi que existia uma necessidade muito grande de trabalhar a importância e fundamentos da temática de tecnologia e como ela transforma efetivamente nossas atividades na área de comunicação com foco especial em Publicidade, porém acredito que seja uma temática que deve ser abordada de forma bastante ampla, informativa e acima de tudo atualizada e voltada para fatos do cotidiano do nosso mercado de atuação ao redor do mundo e no Brasil.

Irei partir da explicação da importância da tecnologia, a forma como muitos a percebem, a necessidade de mudança desse paradigma e a melhor forma com que devemos passar a interagir com ela.

Depois, passarei a falar dos desafios que a tecnologia trouxe para publicidade, como ninguém ainda parece ter descoberto como resolver 100% esses desafios e encerrarei falando sobre a nova forma de consumo, o consumo que vem a se estabelecer na era da inteligência artificial e reconhecimento facial.

 

  1. A percepção de dois lados sobre a tecnologia e necessidade de mudança de paradigmas.

 Quando olhamos para o universo tecnológico como um todo, porém ainda de forma superficial, percebemos rapidamente que poderíamos facilmente dividir a tecnologia em duas categorias, uma seria a de tecnologia cotidiana e a outra poderia ser chamada de tecnologia excepcional.

Dentro da categoria de tecnologia cotidiana nós teríamos smart phones, computadores pessoais, smart watches, smart tvs, assistentes pessoais domésticos como a Alexa da Amazon, videogames e ferramentas de trabalho digitais.

Dentro da categoria de tecnologia excepcional nós teríamos, a inteligência artificial, realidade aumentada, realidade virtual, linguagem de programação, block chain, projeção holográfica, impressoras e implantes/constructos 3d.

Porém, algo que acontece a uma maioria de pessoas é que elas raramente percebem que cada vez mais ao longo do tempo, o que poderia ser chamado de tecnologia excepcional está se fundindo poderosamente e de forma fundamental ao que poderia ser chamado de tecnologia cotidiana.

Muitos  não percebem mas para que qualquer smart device(produto), computador, assistente doméstico, videogame e ferramenta digital de trabalho funcione, é necessário o uso de linguagens de programação, níveis distintos de inteligência artificial e formação ou decodificação de dados encriptados.

No Brasil é muito comum a maioria das pessoas olhar para a tecnologia cotidiana e acreditar que todo o universo tecnológico do qual precisa fazer parte se resume a ela,e também acredita que  já é fluente no seu uso, e que portanto já possui controle sobre ela, e quando se fala sobre inclusão  digital, muitos entendem apenas que se deve tratar de ensinar as pessoas a usar o computador, o celular e aplicativos .

Porém, em 2017 ocorreu um escândalo muito interessante, foi um ataque global de Hackers ao Brasil e mais 100 países, e grande parte do foco do ataque foram serviços como no caso do Brasil, o INSS, e fora do Brasil grandes empresas de telefonia e serviços bancários. A consequência do ataque durou dias, uma vez que as empresas e serviço alvo foram incapazes de neutralizar ou anular os vírus dos hackers, e portanto tiveram que pagar um resgate por suas próprias posses de arquivos digitais, e ainda tiveram que pagar esse resgate por meio da moeda digital Bitcoin, que até então não havia aparecido no radar midiático e muito menos da grande massa populacional da maioria dos países.  (https://oglobo.globo.com/economia/ataque-global-de-hackers-afeta-brasil-cerca-de-100-paises-21331796)

Normalmente existe um mito em torno do personagem do hacker, é comum acreditarem que se trata de alguém com habilidades além do normal para o uso e manipulação de tecnologia, e esse mito vem acompanhado de outro, vem acompanhado do mito de que tecnologia "de verdade" é muito difícil, não é pra todo mundo,é uma linguagem excepcional, é só para os nerds.

Porém, para que se construa e se possa viver em uma sociedade aonde serviços fundamentais do cotidiano, e nossas próprias informações armazenadas em nuvens ou em bancos de dados, não fiquem à mercê de Hackers,e as pessoas possam se sentir seguras e ter controle amplo de suas vidas, é necessário que esses mitos caiam por terra.

 É fundamentalmente importante que cidadãos de qualquer país saibam como suas interações e informações são rastreadas pelas empresas das quais utilizam os aplicativos  e sites (SEO e Analytics); como as ferramentas digitais de trabalho e estudo que usam funcionam e podem ser alteradas ou corrompidas, como interagir de forma mais completa e profunda com a linguagem dessas ferramentas; como tirar o melhor proveito possível de seus smart devices e assistentes domésticos; como impedir ou se prevenir contra ataques de hackers, como se proteger e não ser mais uma possível vítima deles.

Para que isso possa vir a acontecer é necessário que ocorra uma verdadeira inclusão digital, é necessário que linguagens de programação sejam tão naturais para nós como nosso próprio idioma, é necessário que se desmistifique o uso da tecnologia que não seja casual ou básica, é necessário que sejamos familiarizados, que sejamos próximos do uso mais bem aproveitado e profundo das ferramentas digitais. A empresa de tecnologia, Apple, já percebeu a real importância desse tipo de inclusão digital, tendo um projeto em parceria com muitas escolas na Califórnia, no qual crianças  do ensino fundamental aprendem a usar linguagens de programação,a criar aplicativos e jogos. (https://www.apple.com/education/ ) (https://www.apple.com/br/education/apple-distinguished-schools/ )

 Essas necessidades provém da nova realidade de vida que experimentamos no nosso cotidiano atual que está profundamente relacionada com a expansão da internet, o fenômeno da globalização, e o avanço midiático e tecnológico ao redor do mundo.

 Essa nova realidade de vida trouxe consigo para muitas áreas de atuação profissional, diversos desafios e transformações, porém irei focar somente na área de atuação profissional de Publicidade.

  1. O problema da publicidade digital e a nova forma de consumo.

Desde que a Internet se estabeleceu em nossas vidas e conteúdo midiático começou a ser criado nela, empresas começaram a nascer dela, e novas formas de negócios também, veio junto o desafio de como manter essas empresas, novas formas de negócio e conteúdo midiático gerando receita para que pudessem tomar proporções maiores e melhorar cada vez mais a qualidade de seus serviços e produtos.

As soluções mais comuns encontradas até hoje foram banners digitais espalhados no layout de sites,o poluindo visualmente, propagandas que aparecem no meio de um texto que se está lendo ou no meio de um vídeo que se está assistindo, e taxas de inscrições para o uso de um serviço por completo, mas de qualquer forma, todas essas soluções interrompem a experiência do usuário e transformam ela em uma frustração, as pessoas passaram a ter aversão à propagandas digitais ao ponto de baixarem programas como o famoso AdBlock que tem como funcionalidade bloquear propagandas, e impedi-las de interromperem sua experiência nos meios digitais.

Como publicitários é fundamental absorvermos e compreendermos por completo que nesta nova era dos meios de comunicação em que vivemos, o público-alvo não deve ser forçado a nada, ele deve ser convidado, deve ser instigado à algo, um conceito muito explorado no livro Permission Marketing por Seth Godin ( https://www.amazon.com.br/Permission-Marketing-Turning-Strangers-Customers/dp/0684856360 ), até porque se o consumidor não quiser ele tem total poder de bloquear a mídia, ou simplesmente fechá-la, dar logout, e a última coisa que queremos é gerar aversão nos consumidores, porém isso é o que tem mais acontecido.

A forma na qual pode se ver o conceito de Permission Marketing funcionando no seu auge, é por meio da ferramenta de newsletter, que convida o consumidor a querer receber notícias, avisos e informações a mais sobre a marca, os produtos e a empresa.

Obviamente o universo comunicacional todo da Publicidade não pode sobreviver somente por meio de newsletters, porém o que é mais importante é perceber como algo extremamente simples como esse, o ato de mandar emails para seu público alvo e manter uma comunicação próxima, consistente e exclusiva com ele, se tornou a ferramenta de publicidade digital mais poderosa e mais popular de todas até o momento atual.

Ao se inscrever na lista de newsletter de uma empresa, o consumidor não perde e nem precisa dar nada, e não é algo que interrompe em nenhum momento sua experiência, pelo contrário é algo que oferece ampliar sua experiência. A empresa também não precisa investir praticamente nada para implementar essa estratégia de comunicação e propaganda, e ainda assim garante que todas as promoções, lançamentos, informativos e eventos sejam vistos pelo consumidor e o mais importante de tudo, de boa vontade. 

Além do obstáculo de descobrir novas formas efetivas e agradáveis de se anunciar propagandas no meio digital, o universo da Publicidade precisa começar a se preocupar com a nova forma de consumir, e com isso quero dizer começar a se preocupar com tendências como, o Amazon Go, um supermercado que permite ao consumidor entrar via um QR code no celular, pegar todos os itens que quiser e simplesmente sair, e a conta dos itens é passado direto para a conta de cartão de crédito do cliente por meio de um cadastro digital que pode ser realizado via mobile, o supermercado em si, o Amazon Go, foi construído com a tecnologia Sensor Fusion e algoritmos de Deep Learning, essa última é uma tecnologia muito próxima da inteligência artificial e também é utilizada pelas empresas Apple e IBM, e permite que ao pegar um item de uma prateleira do mercado este seja automaticamente adicionado ao carrinho digital do cliente sem que este faça nada, e se o cliente retornar o produto para a prateleira, este é automaticamente retirado do carrinho digital. ( https://www.youtube.com/watch?v=NrmMk1Myrxc )

O Amazon Go trabalha com o que poderíamos chamar de tecnologia excepcional, parece que estamos falando de algo que ainda virá a acontecer no futuro, algo que ainda não parece pertencer ao tempo e cotidiano atual, porém pertence, e é apenas mais um exemplo de uma tecnologia excepcional atingindo nosso dia a dia de forma fundamental.

É necessário que a Publicidade comece a se preocupar em como essas experiências novas afetam o ato de consumir, e como ela deve se adaptar a isso, e é preciso que esse ato ocorra mais rápido e de forma mais eficaz do que tem ocorrido com questões como a publicidade digital.

Por considerar a tecnologia algo muito fora do alcance e da importância comum, perdemos tempo, e com o tempo, perdemos também mercado, e a nova realidade em que vivemos não tem espaço para empresas e profissionais que não sabem como agir e chegar ao seu público-alvo.

Portanto espero que tenha conseguido passar a existência da necessidade de reformular a forma como interagimos e percebemos a tecnologia ao nosso redor e como agimos e pensamos como publicitários, para que possamos construir, junto com nossos clientes e público alvo, um futuro mais consciente, eficaz e transparente.

Caso estejam interessados em começar suas jornadas na construção desse futuro o quanto antes, vocês podem comprar o meu livro, que antes de ser livro era o meu TCC: Inteligência Artificial, SEO e o Marketing no Brasil.

O livro aborda de forma muito detalhada e explicativa, todos as questões, termos e ferramentas mencionadas nesse texto, e possui entrevistas com empresas nacionais que já estão construindo o futuro.


Sobre a autoraLuísa Amendola de Paiva e Matos é publicitária.