03/06/2020

O Canto do Cisne

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17/01/2019 - Por: Marisol F.

O Canto do Cisne é uma obra de ficção, do gênero suspense. Mas como toda obra de ficção, reflete a sociedade e o contexto onde está inserido.

Eu, como autora, escolhi escrever sobre temas que acho muito interessantes e relevantes: a perícia criminal e o erro judicial. Muitos crimes ficaram sem solução no passado porque não existiam os meios usados atualmente para elucidar os delitos cometidos: luminol, luz forense, análise de DNA… E por falta dessa tecnologia e profissionais capacitados, muitos inocentes foram condenados injustamente. E muitos assassinos ficaram impunes. Esse é o tema central do livro. Mas ainda existem tramas paralelas com muito romance e drama, e um pouco de turismo pelos pontos turísticos de Curitiba. Também tem um pedacinho da história dos imigrantes italianos, contada através dos personagens.

O livro é muito realista, assim como todas as outras tramas que escrevi, e os leitores me perguntam se me inspirei em acontecimentos reais. A resposta é não. Real, somente os fatos históricos, pontos turísticos e os sentimentos e reações dos personagens. Aliás, essa sempre foi uma preocupação minha: escrever algo crível, que o leitor pudesse se identificar. E amar. Tomara que eu tenha conseguido. Tenho recebido críticas muito positivas e calorosas pelo livro, o que me enche de orgulho e me deixa com a sensação de dever cumprido. Alguns jornalistas dizem que seria um ótimo roteiro de filme… Quem sabe? Outra coisa que me deixa bastante emocionada é quando pedem que eu mantenha alguns personagens e os torne personagens fixos. Essa já era uma ideia minha, e Alexandre Lobo Neto, o advogado responsável pelo laboratório de perícias, continua nos meus próximos títulos e o criminalista Arnaldo Cerqueira também. Eles já estão presentes na trama do Dança Comigo? - que será lançado no início de 2019 -  e surgem nos outros textos que estou escrevendo: O Lado escuro da Lua e Encontro das Águas. São muitas aventuras e muitos mistérios que serão desvendados por essa dupla. Aguardem!

Outra pergunta frequente que me fazem, é sobre a capa. Por quê a bailarina? Eu trabalho com símbolos, faço associações com imagens que significam pra mim alguma coisa e tive a sorte de encontrar um capista muito talentoso que consegue compreender e traduzir os meus pensamentos. A bailarina é o cisne. Um cisne na água. Ela representa a Grace, personagem central da trama. É ela o mistério nunca solucionado, a dor que nunca parou de doer, o passado que sempre volta. Ela é o cisne que foi tirado de seu elemento, a água, e colocada em uma gaiola de ouro.

Boa leitura.


 

Sobre a autora: 

A literatura entrou muito cedo na minha vida. Primeiro foram as fábulas, depois Monteiro Lobato. É muito fácil se apaixonar pelos livros, e eu me apaixonei. A magia se fez e eu não parei mais. Uma das minhas melhores lembranças da infância e adolescência é o barulho da chuva caindo enquanto eu viajava nas palavras, nas sextas-feiras à noite. O dia seguinte era sábado e não tinha que levantar cedo para ir pra escola, podia ler até tarde. Depois, não lembro quando exatamente, chegou Machado de Assis. Esse foi um amor duradouro, nunca mais larguei. Li Dom Casmurro quatro vezes e quero ler mais algumas. Quanto mais eu leio, mais nuances eu descubro. Machado é gênio, li tudo o que ele escreveu, mas nada pode ser comparado a Dom Casmurro. Tem tanta verdade ali… Tantos sentimentos tão humanos, tão reais. Depois dele veio Agatha Cristhie. Também foi amor a primeira vista. Viajei com ela. Fiz minhas primeiras viagens de trem e conheci o clima chuvoso de Londres. Mas eu ainda não pensava em escrever e escolhi o curso universitário que era a extensão da matéria que eu mais gostava no colégio: Biologia. Muitos acham estranho que uma escritora tenha formação na área biológica, mas eu não me imagino fazendo outro curso. É vocação mesmo. E a escrita? É paixão. Derivada de uma outra paixão, que é ler. A leitura formou uma escritora, não a universidade. Não, eu nunca sonhei em publicar meus textos, nem imaginava que seriam aceitos e publicados por uma editora. O Ícaro, meu primeiro texto publicado, ficou mais de dez anos na gaveta. O original estava todo amarelado pelo tempo quando o digitalizei e enviei para análise. Mas ele não era o único e achei que estava na hora de alguém avaliar aquilo que eu escrevia, antes que eu continuasse escrevendo textos e mais textos e enchendo minhas gavetas. E foi então que meus personagens se tornaram reais. Seus conflitos foram dissecados e analisados, ganharam vida e passaram a fazer parte do imaginário popular. Sim, os personagens são seres com vida própria! E são eles que fazem a magia acontecer. A magia dentro de nós. Eles são a ponte que nos leva para  uma viagem com destino ignorado, mas que sempre iremos querer refazer.