03/06/2020

Fique por dentro do novo ensino médio

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11/02/2019 - Por: Danilo Arnaldo Briskievicz

A reforma do ensino médio vai afetar a vida de milhões de alunos no Brasil. Tudo começou com a publicação da Lei n.º 13.415, de 16 de fevereiro de 2017. Segundo o Governo Federal, o ensino médio estava em crise e necessitava de uma reforma para se tornar mais atrativo para os jovens. Por isso, veio uma profunda mudança na estrutura curricular e na forma de organização dos anos finais da educação básica. A lei do Novo Ensino Médio obriga as escolas públicas e privadas a se adaptarem para atender os alunos em tempo integral com um currículo integrado.

            O que é o Novo Ensino Médio de tempo integral?

            Muito simples de entender. O Novo Ensino Médio integral deve ter uma carga horária anual que começa com 800 horas para cada série, distribuídas em 200 dias letivos. Até 2021, a carga horária deve chegar a 1.400 horas para 200 dias letivos, chegando ao total de 4.200 horas para o curso completo. Durante o período de adaptação, as escolas podem oferecer 1.000 horas para cada ano. Isso quer dizer que o Novo Ensino Médio é integral, pois os alunos ficarão na escola durante os cinco dias da semana, sete horas por dia em turno e contraturno.

            O que é o Novo Ensino Médio integrado?

            Para quem organiza o Novo Ensino Médio é preciso pensá-lo em áreas de conhecimento. São elas: I - Linguagens e suas Tecnologias; II - Matemática e suas Tecnologias; III - Ciências da Natureza e suas Tecnologias; e IV – Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.

            Devem ser ofertados aos alunos os itinerários formativos de acordo com a liberdade dos arranjos institucionais. São cinco: I - Linguagens e suas Tecnologias; II - Matemática e suas Tecnologias; III - Ciências da Natureza e suas Tecnologias; IV – Ciências Humanas e Sociais Aplicadas; e V - formação técnica e profissional.

            Para os alunos, há uma obrigatoriedade de cursar 60% dos conteúdos previstos pela Base Nacional Curricular Comum, a BNCC. Os outros 40% são do itinerário formativo de opção dos alunos.

            Assim, o Novo Ensino Médio prevê uma parte comum listada pela BNCC e outra chamada de itinerário formativo, a ser ofertada pelas escolas a partir de sua organização interna. A BNCC estabelece alguns princípios que precisam ser bem compreendidos no dia a dia da organização escolar. São eles: o pacto interfederativo, a integralidade da pessoa humana, o currículo em ação e a autonomia institucional de cada escola para alcançar seus objetivos.

            E o Enem, como vai ficar?

            O Ministério da Educação afirmou que, a partir de 2021, o Exame Nacional do Ensino Médio vai mudar e terá dias de provas geral e específica. O exame continuará dividido em dois dias: no primeiro, os estudantes respondem a perguntas gerais, referentes à Base Nacional Curricular. Já no segundo, serão avaliados os “itinerários formativos” de acordo com opção feita pelo aluno. 

            O Novo Ensino Médio integral e integrado, baseado no ensino de habilidades e competências por áreas de conhecimento e itinerários formativos, regulado em parte de seu currículo BNCC, pretende resolver a crise da última etapa da educação básica nacional. Trata-se da 17.ª reforma do ensino médio desde 1822, que chegou de vez às escolas, para ser implantada e entrar em funcionamento pleno até 2021.

            O momento agora pede informação de qualidade para executar um excelente planejamento da estrutura curricular a fim de atender plenamente as exigências da Lei n.º 13.415/2017 e da BNCC do ensino médio. Quanto mais entendermos a nova legislação, maiores as chances de ofertar um ensino de qualidade que atenda às necessidades de nossos alunos, das suas famílias e do mercado.

Para entender mais:

BRISKIEVICZ, Danilo Arnaldo; STEIDEL, Rejane (Org.). O novo ensino médio: desafios e possibilidades. Curitiba: Appris, 2018.


 

Sobre os autores - Danilo Arnaldo Briskievicz: graduação em filosofia pela PUC-Minas, especialização em Temas Filosóficos e mestrado em Filosofia pela UFMG, doutorando em educação pela PUC-Minas. Professor de Filosofia e Sociologia do Instituto Federal de Minas Gerais – IFMG, campus Santa Luzia. Autor do livro Violência e poder em Hannah Arendt. E-mail: doserro@hotmail.com

 

Rejane Steidel: graduação em Pedagogia pela Universidade Federal do Paraná – UFPR, especialização em Psicopedagogia pela PUC-PR, em Educação Especial pelo IBPEX, mestrado em Educação pela PUC-PR,