24/06/2020

RITA LEETRAS

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05/08/20219 - Por: Norma Lima

Rita Lee possui múltiplos talentos, tendo ficado bastante famosa no Brasil e no exterior como cantora e compositora, nos últimos anos tem se dedicado à Literatura. Lançado em 2016, pela editora Globo, o seu Rita Lee, uma autobiografia, escrito sem auxílio de jornalistas (como costuma ocorrer com celebridades), vendeu mais de 300 mil exemplares, foi indicado ao Prêmio Jabuti e  eleito pela Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) como o melhor do gênero de 2016. A proximidade dela das Letras, entretanto, não é recente.

Além de evidenciada em suas composições (existentes, pelo menos, desde 1966), estreou como escritora ao lançar no dia 31/8/1986 o seu primeiro livro, Dr Alex, pela editora Global. No mesmo ano, no dia das crianças, o jornal O Globo publicou um conto dela, inédito, para as crianças. Dois anos depois, em 1988,  já na editora Melhoramentos, lançou Dr Alex e os reis de Angra. No ano de 1989 enveredou pela contação de estórias por meio dos discos, com Pedro e o lobo, de Sergei Prokofieff,  participou do espetáculo Sinfonia da floresta, narrando, além de Pedro e o loboCarnaval dos animais, de Camile Saint-Seans, no Olympia de São Paulo, nos dias 17 e 24/9/1988. Em 1990, lançou Dr Alex na Amazônia e em 1992, Dr Alex e o Oráculo de Quartz, todos pela editora Melhoramentos.

A partir da década de 90, Rita Lee se torna colunista fixa da revista Capricho (1990/1991), também colaborando para a revista Qualis, além de continuar a escrever para vários jornais como O Globo, Folha de São Paulo, Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, O Estado de Minas Gerais e para outras inúmeras revistas, como Criativa, MTV, Bizz etc. Em 1996 participou de nova contação de estórias em Tutu, o menino índio, com Toni Brandão. No mesmo ano, o seu livro Rita Leerica (Melhoramentos) chamava a atenção para 123 canções escritas por ela. Em 1998, tem um texto publicado no livro Brasil bom de bola. Em 2001 torna-se colunista fixa da revista Leros (Londres). Em 22/11/2013, ela lançou Storynhas, um livro com narrativas criadas em 11 caracteres no Twitter, rede social da qual começara a participar em 05/07/2010.

Desde 2016, ela tem publicado um livro por ano. Rita tem mesmo muito o que dizer, entretanto, nem sempre pôde fazê-lo com liberdade. Em Ditadura no Brasil e censura nas canções de Rita Lee, publicado recentemente pela Editora Appris, mostro como a censura perseguiu a artista durante três décadas, dando a ela o título de compositora mais censurada do Brasil. Muito além do tolhimento da sua expressão artística, o seu comportamento livre igualmente foi permeado por julgamentos, mesmo em contextos fora da ditadura. A sua imediata analogia com as drogas – como se tivesse sido a única artista a utilizá-las em uma época na qual Beatles e outros assumiam essa forma de instrumento para inspiração –, evidencia a tentativa de resistência à opressão da qual sempre foi alvo. Ao invés de se intimidar com julgamentos, Rita continua a produzir, antenada com questões autoritárias, denunciando, por exemplo, em seu mais recente livro – Amigas Ursa (Editora Globinho), o horror da escravização (seja de animais, seja do ser humano).

Conheça a obra da autora: Ditadura no Brasil e Censura nas Canções de Rita Lee


Sobre a autora: Norma Lima éDoutora em Literatura comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre em Literatura Brasileira, graduada e licenciada em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Professora adjunta do Departamento de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Faculdade de Formação de Professores (UERJ-FFP).