Paradoxos da Diferença: Etnicididade, Inimificação e Reconhecimento (Alemanha-Brasil)

Ref: 4054532

Paradoxos da Diferença: Etnicididade, Inimificação e Reconhecimento (Alemanha-Brasil)


Calcule o frete

Opções de entrega:

Versão impressa
R$ 49,00
ADICIONAR 
AO carrinho

ISBN: 978-85-8192-125-9


Edição: 1


Ano da edição: 2013


Data de publicação: 00/00/0000


Número de páginas: 248


Peso: 200 gramas


Largura: 14.8 cm


Comprimento: 21 cm


Altura: 2 cm


1. Arim Soares do Bem.

A presente obra articula reflexão teórica e análise histórica a trabalho de campo envolvendo dois países, a Alemanha e o Brasil, definidos pela existência de modelos (descritivos e normativos) diametralmente opostos de abordagem e de objetivação do multiculturalismo. O modelo característico da Alemanha embasa-se em práticas explícitas e radicais de exclusão, num contexto em que discursos e práticas sublimam a presença histórica e a interação com diferentes integrantes de minorias nacionais desde a segunda metade do século XVII. Os elementos da experiência alemã são recuperados por Arim Soares do Bem através de discursos contemporâneos de jovens alemães ocidentais, orientais e de origem estrangeira na cidade de Berlim antes, durante e após a queda do muro e compõem a primeira parte do livro.

O modelo característico do Brasil desdobra-se de longo processo histórico que carrega marcas profundas de um imaginário cristão medieval e patrimonial altamente excludente (Estatuto de Pureza do Sangue, Santa Inquisição) de índios e negros, transposto para o Brasil de modo vertical e interpelador. A porosidade entre as culturas adventícias e autóctones contribuiu, no entanto, para legitimar o funcionamento da sociedade brasileira a partir de mitos de inclusão, que vem sendo gradativamente desconstruídos a partir da segunda metade do século XX. As particularidades do modelo brasileiro são tratadas, a partir de várias perspectivas temáticas e temporais, na segunda parte do livro e abarcam a análise das tensões e paradoxos da identidade nacional, da identidade de classe e do difuso sistema de classificação racial característico da sociedade brasileira. Em detrimento da existência de diferenças constitutivas fundamentais entre os dois modelos, tanto na Alemanha como no Brasil o racismo interpõe-se como um grande desafio para o pleno desenvolvimento do multiculturalismo, como o demonstram os mecanismos e as estratégias de construção social de fronteiras e inimigos em ambos os contextos.