A Cultura e a Língua Pomeranas Vão à Escola

Ref: 978-85-473-0681-6

“Na década de 1980, quando comecei minha vida escolar, aos 7 anos, ainda não existia pré-escola na região de São Sebastião de Belém, Santa Maria de Jetibá (ES), comunidade onde eu morava. Praticamente desconhecíamos o português. Aliás, todas as pessoas com quem convivíamos falavam somente o pomerano, tanto no domínio privado como nas interações fora dele..."


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ISBN: 978-85-473-0681-6


Edição: 1


Ano da edição: 2018


Data de publicação: 31/08/2018


Número de páginas: 199


Encadernação: Brochura


Peso: 300 gramas


Largura: 14.8 cm


Comprimento: 21 cm


Altura: 2 cm


1. Sintia Bausen Küster.

“Na década de 1980, quando comecei minha vida escolar, aos 7 anos, ainda não existia pré-escola na região de São Sebastião de Belém, Santa Maria de Jetibá (ES), comunidade onde eu morava. Praticamente desconhecíamos o português. Aliás, todas as pessoas com quem convivíamos falavam somente o pomerano, tanto no domínio privado como nas interações fora dele. Em qualquer situação, o ingresso na escola gera ansiedade e expectativa nas crianças. Comigo também foi assim, mas o medo em relação a aprender e praticar uma língua diferente, desconhecida da que eu usava em casa, agravou essa ansiedade. Embora já estivéssemos em 1982, ainda ressoavam as pressões de assimilação da cultura dominante, resquícios da medida de Vargas proibindo o uso de línguas estrangeiras no espaço escolar. Nesse primeiro contato com a escola, minha reação foi de estranhamento. Inúmeras preocupações fervilhavam na minha mente: como eu daria conta de aprender a falar uma nova língua e também de assimilar todo o conteúdo proposto? Não conseguia entender por que, naquele espaço, nossa língua era totalmente anulada e corríamos até riscos de punição física e moral, se ousássemos usá-la. No primeiro momento, eu só pensava em fugir daquele lugar. Mas, como os colegas veteranos se propunham a ajudar os iniciantes, eu e outros alunos da minha sala que também eram descendentes de pomeranos enfrentamos isso de forma menos constrangedora.”

Sintia Bausen Küster adentra o espaço escolar para tratar dessa língua que foi alvo de proibição durante sua trajetória escolar. Sua língua materna já não mais é refutada nesse espaço; ela é coração da política pública denominada Programa de Educação Escolar Pomerana, implantada nas salas de aula da rede municipal de Santa Maria de Jetibá em 2005. Ali, assistindo alunos, professores e demais funcionários da escola na interação com a língua pomerana, a autora narra sobre um movimento de valorização da cultura e língua pomeranas diferente da sua vivência quando criança. Em vez da “poda”, a abertura para a singularidade de uma cultura; em vez do medo de punições, o júbilo em reafirmar um aspecto tão marcante de sua identidade como pomerana.