Fernando Pessoa & Heteronímia: A Transa (Homo)Erótica

Ref: 978-85-473-1926-7

Escrever este livro, Fernando Pessoa & heteronímia: a transa (homo)erótica, me permitiu descobrir como o mais estudado poeta português levou a fundo o seu projeto heteronímico, o seu desdobramento contínuo entre vida e obra, a tal ponto que, para ser convincente em sua ambiciosa empreitada, não deixara escapar – ao tecer-se noutras almas – nada a respeito de seus outros eus.


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ISBN: 978-85-473-1926-7


Edição: 1


Ano da edição: 2018


Data de publicação: 10/10/2018


Número de páginas: 305


Encadernação: Brochura


Peso: 200 gramas


Largura: 16 cm


Comprimento: 23 cm


Altura: 2 cm


1. Felipe Garcia.

Escrever este livro, Fernando Pessoa & heteronímia: a transa (homo)erótica, me permitiu descobrir como o mais estudado poeta português levou a fundo o seu projeto heteronímico, o seu desdobramento contínuo entre vida e obra, a tal ponto que, para ser convincente em sua ambiciosa empreitada, não deixara escapar – ao tecer-se noutras almas – nada a respeito de seus outros eus.

A obra de Fernando Pessoa revela a capacidade inimitável do poeta de se despersonalizar em muitos seres e, consequentemente, de reinventar-se do ponto de vista do estilo, dos temas e, sobretudo, do sujeito. Sem dúvida, a sexualidade não poderia ficar de fora desse projeto íntimo/literário pessoano, portanto, cada outro-eu, cada heterônimo, tão “diferentes” de Pessoa, deveria possuir um sexo, um gênero.

E se os poetas falam de amor, de relações físicas e corporais em seus textos, a temática (homo)erótica em Fernando perpassou seus poemas e sua vida, e, como ele era mestre na arte do fingir, o homoerotismo se tornou mais um mistério potencializado dentro de seu universo criativo, mais um elo até então desconhecido na sua composição heteronímica.

Por que ignorar o ser (homo)erótico pessoano ou até mesmo colocá-lo em uma posição menos importante em relação à concepção estética de sua obra? Qual foi o tipo de crítica (ou crítico) que relegou para último plano o sexo em Pessoa, o homoerotismo em Pessoa? Sem dúvida, como verás neste livro, em compilações de poemas, cartas, correspondências entre heterônimos e suas publicações, comentários, análises, que o tema, para Fernando, sempre foi de gigantesca importância e até inquietação profunda, constante, e o perseguiu durante toda sua vida/obra, e não apenas em uma fase inicial de sua juventude.

Sendo Pessoa um crítico ferrenho dos bons costumes, da boa literatura, dos temas universais, não seria o homoerotismo a mais coerente das opções do poeta para construção de seus heterônimos? E, como apresentei neste livro, não seria, para ele mesmo, Fernando, de maneira engenhosamente elaborada, um tema a ser explorado de todas as maneiras, uma vez que foi silenciado por séculos?

E para que este livro fosse possível, para que, enfim, o homoerotismo fosse descortinado em Pessoa e colocado na posição merecida em sua obra, como um tema que o atravessa de extremo a extremo e tem grande relevância na composição heteronímica do poeta, precisei aguçar o meu olhar baseando-me em muitos críticos de Fernando, e filósofos, como Deleuze e Foucault; sociólogos, como Bourdieu e Bauman; pensadores, como Didier Eribon, Francisco Ortega, escritores como Rimbaud, Verlaine, Baudelaire, Oscar Wilde, Almada Negreiros, Mário de Sá-Carneiro; enfim, uma gama de vozes que lançaram uma luz intensa sobre o tema presente na vida-obra pessoana.

Os leitores, ao se debruçarem nesta obra, além de conhecerem um Fernando Pessoa íntimo, homoerótico, poderão também compreender o que é homossexualidade, homoerotismo, gay, queer, gênero e como esses temas transitam pela literatura e, sobretudo, estão na poesia.

Fernando Pessoa & heteronímia: a transa (homo)erótica despe Fernando carinhosamente, o mostra em sua faceta mais criativa, mais afetiva e múltipla, que é a do sexo, do corpo, da busca pelo prazer inominável de ser mais do que um sujeito limitado ao corpo único que lhe é dado pela existência, ou de uma única alma que lhe é atribuída.

É a transa pessoana que lhe confere multiplicidade, entre ele e suas crias.

Fernando se (re)produz (homo)eroticamente ao se desdobrar no corpo desejante de cada eu-escrito, vivido, possuidor de uma sexualidade transgressora e reinventada.