Meandros Divagantes da Poesia: Ou Sobre o Processo de Criação Poética

Ref: 978-65-250-1205-6

Há muitas palavras para dizer o mover-se que é o nosso, de leitores, por este livro de Aguinaldo J. Gonçalves: caminho, percurso, viagem. Ou meandro, como está em seu título, palavra que vem do grego e que significa a curva acentuada de um rio. Na tipologia fluvial, há rios retos, sinuosos, meandrantes. Por vezes, chegam a perfazer amplos semicírculos, por um processo de erosão de suas margens, e recebem o nome de “divagantes”, que é menos do que dizê-los “tortuosos”, quando mudam bruscamente de sentido diante de fraturas ou diáclases.


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ISBN: 978-65-250-1205-6


ISBN Digital: 978-65-250-1209-4


Edição:


Ano da edição: 2021


Data de publicação: 16/07/2021


Número de páginas: 181


Encadernação: Brochura


Peso: 300 gramas


Largura: 16 cm


Comprimento: 23 cm


Altura: 2 cm


1. Aguinaldo J. Gonçalves.

Há muitas palavras para dizer o mover-se que é o nosso, de leitores, por este livro de Aguinaldo J. Gonçalves: caminho, percurso, viagem. Ou meandro, como está em seu título, palavra que vem do grego e que significa a curva acentuada de um rio. Na tipologia fluvial, há rios retos, sinuosos, meandrantes. Por vezes, chegam a perfazer amplos semicírculos, por um processo de erosão de suas margens, e recebem o nome de “divagantes”, que é menos do que dizê-los “tortuosos”, quando mudam bruscamente de sentido diante de fraturas ou diáclases. No livro de Aguinaldo, são meandros da palavra poética, que corre como as águas negras de Álvares de Azevedo, “de um rio que se perde na floresta”, forma pântanos “plenos de lixo e pó das estrelas” em Georg Trakl, podendo congelar-se qual palavra em João Cabral de Melo Neto, boiando no papel. Seguimos por poemas como se a cada margem, de verso a verso — do verter-se, vertente —, de estrofe a estrofe, das flores de Drummond às “flores de ferro” de Cabral, observássemos palavras que nos movem, desviam o sentido, levam-nos ameaçadoras ao fundo, recolhem-se às margens, depositam-se, fazem brotar outras.

São meandros que vão, igualmente, da poesia à imagem, e da imagem à poesia, guiados por um atento observador dessa relação em estudos fundamentais como Laokoon Revisitado: relações homológicas entre texto e imagem (1994). Lembram-nos, a todo tempo, de uma linguagem, a da poesia, “que move nossa mente e nosso espírito”, diz-nos. Condensa-se e sopra da “nebulosa do espírito” do artista, tornando-se ruído e enigma, à nossa própria nebulosa. Entre uma e outra, meandros que podem ser verticais, aéreos, em sentido oposto ao curso declinante do rio, e da vida. Alcançam o que Aguinaldo nos diz ser a “suspensão do tempo”. Fazem do divagar esse outro espaço, que poderia ser do devaneio ou do sonho, não estivéssemos acompanhados de um movimento que será também teórico, pela crítica da poesia no século XX — Octavio Paz, dentre outros — ao qual se soma o afetivo rigor do intérprete. A lucidez desse gesto, que é também suspensão, traz o sentido preciso de uma lição que compartilha conosco, “lição de poesia”, cuja densidade, para citar novamente o poeta central dessa trajetória, desse rio-poesia, é “menor do que a do ar”.